Cotidiano

Candidato autodeclarado preto ou pardo passará por análise no vestibular na UFRJ

A partir do ano que vem os candidatos que se declararem pretos ou pardos para concorrer a vagas nos cursos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) serão submetidos à análise de uma comissão especial que avaliará as autodeclarações. O objetivo é evitar fraudes no sistema de cotas.

Atualmente, há mais de 200 denúncias de irregularidades em investigação na universidade.

A decisão foi aprovada na última quarta-feira, 23, em sessão do Conselho de Ensino e Graduação. A comissão será presidida pela pró-reitora de graduação, Gisele Pires, e será composta por pelo menos 45 membros. A ideia é que o comitê tenha representantes dos três segmentos da comunidade acadêmica: docentes, técnicos administrativos e estudantes.

Nota divulgada nesta sexta-feira, 25, pela UFRJ informou que a comissão vai utilizar apenas critérios fenotípicos para as análises.

A universidade conta hoje com uma comissão de identificação instituída ainda na gestão anterior para apurar as denúncias de fraude - são 230 em investigação - e sugerir sanções para cada caso.

Para a coordenadora da comissão que apura as denúncias, Denise Goés, é importante que a UFRJ se posicione contra as fraudes nos editais de aceso e informe aos candidatos que eles serão avaliados caso se autodeclarem pretos ou pardos.

"O que nos interessa é que essa pessoa saiba que, aos se declarar preta ou parda (....), ela está se condicionando a passar por uma comissão de heteroidentificação que vai, de certa forma, atestar essa negritude, que será atestada somente por traços fenotípicos", explicou Denise Goés em comunicado divulgado pela UFRJ.

As fraudes ao sistema de cotas vêm preocupando a comunidade universitária. As Defensorias Públicas do Estado de São Paulo e da União recomendaram à Universidade de São Paulo (USP), na última quinta-feira, 24, a criação de mecanismos de combate às fraudes na política de cotas da instituição.

A recomendação, último recurso antes da judicialização da questão, foi feita após os órgãos receberem um documento, elaborado por estudantes, com cerca de 250 casos suspeitos de fraude denunciados nos últimos dois anos.