Toledo

Cozinha Social de Toledo produz 12 mil refeições e 6 mil lanches diariamente

As refeições começam a ser preparadas às 5h da manhã. Por volta das 8h são distribuídas para as escolas municipais e às 10h30 para os restaurante populares (Foto: Caroline Hendges)

Quando o relógio marca 5h da manhã em Toledo, muita gente ainda está na cama aproveitando o merecido sono depois de um dia longo de trabalho. Mas em um endereço da cidade, o trabalho já iniciou e está tudo acontecendo a todo vapor. É na Cozinha Social, que está localizada na avenida Maripá. Os funcionários chegam antes do amanhecer para produzir 11 mil refeições para as escolas municipais, mil refeições para os restaurantes populares e cerca de seis mil lanches que atendem projetos sociais do município.

A produção é grande, por isso, logo cedo começam as preparações dos alimentos. Enquanto uma turma prepara o arroz, o feijão, e vai esquentando as panelas. Outro grupo já está cortando as carnes e separando as porções para o cozimento. Isso sem contar o preparo das saladas e frutas, que são lavadas separadamente e organizadas para a distribuição. “Tudo que é produzido aqui na cozinha segue uma agenda, para que os alimentos cheguem até as escolas ou nos restaurantes o mais fresco possível. Temos liberdade para trabalhar e isso reflete na produção de um alimento com qualidade”, comenta a cozinheira Maria Claudete da Silva – que em sete anos de trabalho na cozinha saiu do cargo de auxiliar e hoje produz os doces na panificadora.

E nessa grande cozinha ainda tem espaço para a produção da panificadora, onde são feitos pães, bolos, bolachas, cucas, saldados assados, pães de queijo. “Trabalhamos com muito profissionalismo aqui na cozinha, temos autonomia na produção das refeições para conseguir atender essa demanda tão grande todos os dias”, comenta auxiliar de cozinha Elisângela Cardoso – ela soma sete anos de trabalho dentro da cozinha e hoje faz parte da equipe da panificadora produzindo salgados.

“Costumo dizer que a Cozinha Social é como uma engrenagem, todas as peças devem funcionar de forma harmoniosa para que o resultado seja positivo. É incentivando os funcionários a trabalharem motivados e valorizados, que conseguimos fazer todos os setores funcionarem na hora certa e produzir um alimento com qualidade”, comenta o diretor da Cozinha Social André Heck.

E a produção, que inicia às 5h da manhã, logo depois começa a ser transportada para as instituições. Por volta das 8h saem as refeições para as escolas municipais. Por volta das 10h30, começam a ser transportadas as refeições para os restaurante populares. Em meio a tudo isso, a equipe ainda entrega os lanches produzidos na padaria para as instituições sociais, como o Centro de Revitalização da Terceira Idade, o Lar dos Idosos, entre outras entidades do município.

“O trabalho é intenso para conseguir atender todas as instituições sempre com alimento gostoso e fresquinho”, acrescenta o supervisor de equipe Adelson Rodrigues dos Santos – que começou a trabalhar na cozinha a 11 anos como motorista, passou pela função de cozinheiro e hoje coordena uma equipe.

 

ESCOLAS MUNICIPAIS

Tudo que é produzido na Cozinha Social atende as exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), um programa do governo federal que visa suprir parcialmente as necessidades nutricionais através de uma refeição diária aos alunos. “Levamos em consideração os requisitos nutricionais que os alimentos devem oferecer aos alunos, que são calculados antes da elaboração dos cardápios. Todas as refeições são pensadas e planejadas antes da execução”, comenta a nutricionista Deise Suzana Fernandes, que é responsável pelas refeições dos alunos das escolas municipais.

As refeições produzidas na Cozinha Social atendem cerca de 10.500 estudantes de 24 escolas municipais no perímetro urbano de Toledo. Segundo a nutricionista, três vezes por semanas esses alunos recebem o prato salgado, que pode ser, por exemplo, risoto, macarrão com carne, arroz com feijão e uma carne. E nas outras duas vezes da semana, eles recebem uma refeição doce, que geralmente são chás ou leite achocolatado, acompanhado de bolachas, cucas, pães, por exemplo.

 

RESTAURANTES POPULARES

As refeições produzidas na Cozinha Social também atendem seis restaurantes populares, que ficam nos bairros Jardim Europa, Coopagro, Paulista, Boa Esperança, Panorama II e São Francisco. Segundo a nutricionista Sofia Carminati Perinazzo – que elabora os cardápios que atendem os restaurantes –, as refeições prezam pela alimentação saudável da população. “Sempre pensamos em elaborar um prato colorido, que tenha os nutrientes suficientes para uma pessoa. Nossa base do prato é o arroz e feijão, que vem acompanhado de uma carne, uma guarnição, duas saladas, uma sobremesa e o suco feito com a polpa da fruta”, explica Sofia.

As refeições são ofertadas de segunda à sexta-feira para o almoço dos moradores da cidade. Segundo a nutricionista, são preparados todos os dias, 300 quilos de carne, 100 quilos de arroz, 90 quilos de feijão, 100 quilos de saladas variadas, 140 quilos de frutas, 150 quilos de acompanhamentos – mandioca, macarrão, entre outros – além de 60 quilos de polpa de fruta.

 

ORÇAMENTO

Controle rígido na produção reduz gastos na Cozinha Social

Com tantas refeições sendo produzidas diariamente na Cozinha Social, o orçamento para a manutenção da estrutura é considerado alto. No ano de 2016, foram gastos cerca de R$ 6,7 milhões. Já no ano de 2017, esse custo foi reduzido para R$ 5,5 milhões.

Segundo o diretor André Heck, isso só foi possível com um controle mais rígido da produção e do funcionamento de toda a estrutura da Cozinha Social. “Mudamos algumas formas de trabalho para evitar o desperdício de alimentos, direcionamos melhor a distribuição dos lanches produzidos na panificadora para que esses alimentos atendam apenas instituições vinculados ao município, conseguimos gerar economia com um controle maior do consumo de gás e água, por exemplo. Além começar a produzir alguns alimentos na própria cozinha como lasanhas e almôndegas, que antes eram compradas prontas por um valor mais alto, e agora sendo feitas com produtos que já tínhamos a nossa disposição, fez com que o custo reduzisse”.

Ainda segundo o diretor, outra economia que será gerada pelo trabalho da Cozinha Social, será o bolo de aniversário do município. “Antes o bolo era comprado de uma empresa através de uma licitação e custava em média R$ 60 mil. Agora vamos produzir esse bolo aqui na panificadora e vamos conseguir reduzir esse custo para R$ 15 mil”, acrescenta André.

Para melhorar a produção, André ainda informou que será assinado nas próximas semanas um convênio com governo estadual para a reforma e aquisição de equipamentos para a Cozinha Social. “Serão destinados R$ 850 mil para reforma a estrutura e mais R$ 800 mil para a compra de equipamentos. Tudo para garantir ainda mais qualidade e segurança na preparação das refeições”.

 

VISITA NA COZINHA SOCIAL

Alunos conhecem preparação das refeições que são servidas nas escolas

Cerca de 60 crianças foram até a cozinha para conhecer como são preparadas as refeições que chegam às escolas todos os dias (Foto: Caroline Hendges)

E o corre corre da Cozinha Social na manhã dessa terça-feira (22) ficou ainda mais intenso com as visita dos alunos da Escola Municipal Olivo Beal, que fica no Jardim Bressan em Toledo. Cerca de 60 crianças foram até a cozinha para conhecer como são preparadas as refeições que chegam às escolas todos os dias. Acompanhados de uma nutricionista, ele conheceram o processo de cozimento dos alimentos, conferiram onde são separadas as carnes, como as saladas são lavadas, como os produtos da panificadora são produzidos, onde todos esses alimentos são armazenados.

Segundo a professora Sandra kopeginski – que acompanhou a turma durante a visita –, essa é uma maneira prática de mostrar todo o processo de produção do alimento. “Aqui eles veem como o arroz chega embalado, como o feijão é cozido, como as carnes chegam em peças grandes, a quantidade de saladas e frutas que são preparadas para chegar até a escola para depois eles se alimentarem. É uma forma também de incentivar uma alimentação mais saudável, mostrar como os produtos são manipulados para depois chegar ao prato deles”, comenta a professora.

Segundo Sandra, a escola trabalha a alimentação saudável em sala de aula e desenvolve projetos para incentivar o consumo desses alimentos. “Falamos sobre uma boa alimentação durante as aulas e também fizemos uma horta pedagógica para que os alunos plantem legumes e verduras para conhecer a origem desses alimentos. Para que eles possam levar uma alface, uma cenoura, pra casa e mostrar os pais, incentivando a alimentação saudável e criando esse hábito que precisa estar presente na vida da nossa população”, enfatiza a professora.

Ainda levando em consideração o PNAE, um aluno bem alimentado apresenta melhor rendimento escolar, maior equilíbrio para o desenvolvimento físico e psíquico, menor índice de absenteísmo – ausência do aluno na escola, e ainda melhora as defesas orgânicas necessárias para uma boa saúde.