Toledo

Cresce o número de propriedades certificadas no Oeste do PR para a produção de alimentos orgânicos

Muitas pessoas optam pelo consumo de produtos orgânicos (Foto: Divulgação)

Hortaliças orgânicas, cereais, grãos e sementes como arroz integral, aveia, quinoa e linhaça conquistaram o paladar dos brasileiros e passaram a integrar o cardápio de mais famílias. O aumento no consumo de comida saudável aquece o setor alimentício e desperta o interesse de produtores rurais pelo mercado que se apresenta lucrativo.
O estado do Paraná se apresenta como referência na produção de orgânicos em nível nacional, principalmente pela preocupação que há em torno da profissionalização da atividade. Chás, condimentos, fármacos naturais e alimentos orgânicos são destaques no Estado, porém a produção de hortaliças orgânicas sobressai no Paraná. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), no primeiro semestre de 2019 há o registro de 1.580 agricultores produzindo 36 mil toneladas de hortaliças no Estado. O Paraná também se destaca na criação de empresas especializadas no processamento, embalo e comercialização destes produtos.
Na região Oeste do Paraná, os números também impressionam. Aumenta a cada ano o interesse dos produtores rurais pela produção de alimentos orgânicos.
De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Cristopher Cristiano Carnelos de Azevedo, a produção de orgânicos em Toledo está mantendo-se. No entanto, há boas expectativas. “O principal objetivo é trabalhar o aumento do consumo”
Azevedo complementa que a Secretaria vai estabelecer algumas estratégias para ampliar o consumo. Entre elas, Azevedo cita como exemplo a organização dos produtores e as mudanças de hábitos.
Para o presidente da Associação dos Engenheiro Agrônomos Leudacir Francisco Zuffo, existe a necessidade de ampliação na produção de produtos orgânicos no município. “Quanto mais orgânico é melhor para o meio ambiente e para a cidade. Se pudéssemos fazer um plantio agroecológico seria mais interessante”.
Zuffo considera a produção de orgânico em Toledo pequena, diante do tamanho da município. “A expectativa é realizar um trabalho piloto para reduzir a quantidade de agrotóxico. Nós queremos mudar essa produção”.

 

NA REGIÃO - De acordo com o engenheiro agrônomo Ronaldo Juliano Pavlak, que faz parte do programa da Itaipu, nos anos de 2016 e 2017 havia 50 propriedades certificadas na região. Em 2018, com 1.500 famílias cadastradas no programa, de junho a novembro, o número de profissionais que assessoram os produtores passou de 36 para 54 o que contribuiu para a ampliação no número de agricultores certificados de 50 para 72. “Até o momento o programa conta com 72 propriedades que já conquistaram a certificação vigente num universo de 2.400 famílias atendidas distribuídas na região Oeste do Paraná e municípios de Altônia no Noroeste e Mundo Novo (MS). Isso representa um crescimento de 60% só no primeiro semestre”, comemora.

 

CERTIFICAÇÃO – De acordo com o Ministério da Agricultura, em fevereiro de 2019 haviam 2.561 produtores certificados no Paraná. No Oeste, os números de produção são excelentes, mas o desenvolvimento do setor esbarra na burocracia.
Para o Ministério da Agricultura, o déficit de certificações resulta em baixa oferta no mercado e, consequentemente, preços mais elevados, uma das principais queixas dos consumidores interessados nos orgânicos.
O engenheiro agrônomo Pavlak confirma que a maior dificuldade das famílias de produtores é a certificação da propriedade para a comercialização dos alimentos. “Por ter vigência de apenas um ano e devido à grande carga burocrática exigida para a certificação, o número de agricultores certificados acaba tendo alta flutuação na região”, lamenta.
Mas ainda de acordo com Pavlak, a boa notícia é que dentre os agricultores acompanhados pelo programa atualmente existem aproximadamente outras 200 propriedades em processo de transição para o sistema de produção de orgânicos.
De acordo com o Conselho de Engenharia e Agronomia do Paraná (o Crea-PR), a função dos profissionais é fundamental para alcançar a certificação para a produção em larga escala de produtos orgânicos.
O gerente da regional do Crea-PR Geraldo Canci ressalta a importância desse profissional no processo de certificação das propriedades. “Quando falamos em comida orgânica estamos nos referindo a alimentos manufaturados que, desde o cultivo, seguem uma série de métodos como o não uso de agrotóxicos, transgênicos, agroquímicos e fertilizantes sintéticos, além de possuírem o selo de certificação orgânica que garante as normas e práticas de produção. E para alcançar esses resultados, o acompanhamento do engenheiro agrônomo é fundamental para a garantia de bons alimentos, além da preservação da saúde dos trabalhadores da agricultura”, alerta. 
O profissional habilitado prepara um plano de manejo, em que é pensado e projetado o período de transição, passando pela melhoria das práticas convencionais para redução de insumos, com a substituição de práticas e insumos convencionais por outras alternativas e finalmente com o redesenho dos sistemas com base em processos naturais. Este planejamento visa o aumento da sustentabilidade do sistema de forma interdisciplinar, passando por questões econômicas, sociais e ambientais.
“Além disso, assim como na agricultura convencional, o sistema orgânico necessita de planejamento, gestão financeira periódica e gestão de usos de defensivos naturais, que demandam aplicações conduzidas corretamente por um profissional habilitado, pois, do contrário os benefícios do orgânico podem se tornar sérios problemas para o consumidor final”, finaliza Canci.