Toledo

Estudo identifica aves que podem gerar problemas no aeroporto

Estudo é realizado no aeroporto e áreas vizinhas (Foto: Divulgação)

A presença de aves em aeroportos e em seus arredores afeta a segurança da aviação civil. Isso gera um risco iminente de colisão de aves com aeronaves, inclusive nas fases de decolagem e de pouso, que são os momentos mais críticos de uma operação aérea.

Nenhum tipo de aeroporto ou aeronave está imune ao impacto com aves, e essas colisões podem causar sérios danos. A situação exige a adoção de medidas específicas para o gerenciamento do risco de colisão entre aeronaves e a fauna. A regulação expedida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) normaliza o Programa de Gerenciamento do Risco da Fauna (PGRF).

No Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho o estudo começou em setembro do ano passado e é conduzido pelo professor e biólogo Julio Daniel do Vale, docente dos cursos de medicina veterinária e ciências biológicas da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR), campus Toledo.

 

TRABALHO - Com visitas regulares ao aeroporto e no entorno em propriedades rurais, o professor e sua equipe fizeram um sistema de amostragem para identificar as espécies de aves em um raio de 20 quilômetros. “Após seis meses de monitoramento identificamos três espécies de aves que podem ocasionar problemas: quero-quero, carcará e urubu. São espécies que devido ao seus hábitos acabam oferecendo maior risco para o aeroporto”, comenta.

O quero-quero é geralmente encontrado em áreas de lagoas, lagos, rios e riachos ou em terras com pastagens baixas. Esta ave costuma ocupar áreas abertas, uma das características da região do aeroporto. O carcará aproveita de todas as fontes de alimentos disponíveis. É também uma ave que se alimenta de carniça chegando logo a uma carcaça, igual o urubu. O carcará é encontrado próximo a rodovias, sendo este um ponto atrativo para a espécie.

Já a presença do urubu no Aeroporto de Toledo não é muito comum, mas o professor conta que a espécie se movimenta muito na região. “O problema é que quando formam grupos maiores eles voam a uma altura bem significativa, uns 300 metros, e podem alcançar alguma aeronave que está decolando ou pousando. O impacto pode oferecer algum risco”, explica ao enfatizar que os acidentes desta natureza são muito raros e são classificados sem risco.

 

 

ACOMPANHAMENTO - As notificações e registros de acidentes com aves são feitos pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão responsável pelas atividades de investigação e prevenção dos acidentes aeronáuticos que ocorrem em território brasileiro. No aeroporto de Toledo uma equipe de fiscais está responsável por este acompanhamento.

O administrador do aeroporto Luciano Puzzi relata que desde o início das operações da Azul Linhas Aéreas, em janeiro deste ano, o local teve um relato de um quero-quero que colidiu com a hélice de uma aeronave que já estava em solo. “Não danificou nada na aeronave, e nós avisamos a equipe da manutenção que conferiu as condições da aeronave”.

Puzzi acompanha o Programa de Gerenciamento do Risco da Fauna e destaca a importância dos resultados. “É um processo que envolve a segurança operacional no aeroporto”. O programa tem duas fases. Concluindo um ano de pesquisa e identificação das aves no entorno do aeroporto, será realizado um processo de mitigação, uma intervenção humana com o intuito de reduzir ou remediar o problema encontrado no aeroporto.