Toledo

Inclusões aumentam em mais de 13% e exclusões dobram no 1º quadrimestre

Muitas pessoas optaram por ‘limpar o seu nome’ na praça (Foto: Graciela Souza)

O primeiro quadrimestre do ano de 2019 teve elevação no número de pessoas que foram incluídas e excluídas do Banco de Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), de acordo com o levantamento realizado pela entidade, como forma de acompanhar o volume de inadimplência no comércio de Toledo.
Nos quatro primeiros meses de 2019, os números mostram crescimento nas consultas de 13,45% nas inclusões e 26% nas exclusões de CPFs, em relação ao mesmo quadrimestre de 2018. De acordo com o vice-presidente Claudenir Machado, esses dados são interessantes e eles demonstram certa melhora na intenção de compra da sociedade. “Porque nós temos mais pessoas excluídas. Ou seja, existe um movimento maior de pessoas que ‘limparam o seu nome’ na cidade”.
Mesmo o número de exclusão quase dobrando, mais de R$ 3,2 milhões deixaram de circular no comércio de Toledo no primeiro quadrimestre deste ano. Em 2018, foram mais de R$ 2,8 milhões no mesmo período.
Machado explica que o número de inclusão, geralmente no primeiro quadrimestre, é algo típico. “Muitas famílias comprometem suas rendas entre o final e o início do ano. Nos primeiros meses, temos o compromisso de pagar os impostos, comprar o material escolar para quem tem filhos, entre outras cobranças. Estatisticamente, os números de inclusões oscilam nestes meses”.
Por sua vez, o vice-presidente da Acit comemora a saída de pessoas do SPC em 2019. “Isso demonstra que o consumidor está mais preocupado em manter o ‘nome limpo’ em relação ao quadrimestre anterior”.

 

COMPRAS
Outro fator destacado por Machado é o aumento no número de consultas ao SPC nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril. A ampliação totalizou em 2%, em comparação ao mesmo período de 2018. No ano passado, foram realizadas 99.603 consultas no quadrimestre. Em 2019, os números fecharam em 101.288.
Para o vice-presidente da Acit, as consultas mantém-se e ainda é possível considerar uma conquista já que muitas vendas acontecem pelo cartão de crédito. “A compra realizada no cartão passa pelo SPC Brasil e vias centrais. As informações constam em nosso banco de dados, porém não como realizada na Associação local. Nós conseguirmos manter esses números é fundamental, pois significa que as pessoas ainda utilizam o crediário das lojas para fazerem as suas compras”, pondera Machado.
De maneira geral, ele acredita que “os dados demonstram um ligeiro interesse de compras. Existe um otimismo na economia, o qual tem movimentado o mercado para frente. No entanto, precisamos aguardar os resultados das reformas da previdência ou até mesmo tributária. Elas podem ser pontos norteadores para a economia local”, destaca Machado.

 

CADASTRO POSITIVO
O que também deve influenciar na economia é a Lei do Cadastro Positivo. Ela regulamenta e oficializa uma prática que existe desde 2011, mas que era voluntária e que passa a ser, tanto para pessoas físicas como jurídicas.
Estima-se que a inclusão obrigatória no sistema de bons pagadores trará, como primeira medida, estabelecer uma métrica mais justa para se apurar os indivíduos financeiramente, que ao invés de serem avaliados somente pelos seus apontamentos, passam a sê-lo também pelas suas quitações.
Ele exemplifica que os bancos de dados de todo o Brasil – anteriormente – avaliavam o consumidor pelas suas restrições. “O cliente poderia ter pago suas contas em dia todo o tempo de sua vida. Mas em um mês foi incluído no SPC e quando tentou buscar um crédito, ele foi negado; mesmo mediante o comportamento bom”.
Desta maneira, com o advento do Cadastro Positivo, o consumidor vai ser avaliado pelo seu comportamento no mercado. “De acordo com a pontuação, o empresário consegue avaliar o grau de risco. Se ele pode conceder maior prazo ou se pode facilitar o juro. O comportamento do cliente ao longo do histórico se soma. A informação restritiva é apenas um detalhe para compor esse corte”, informa Machado.
Atualmente, a Acit está capacitando os empresários para utilizarem as informações neste modelo. “O Cadastro Positivo vai possibilitar o acesso e propiciar mais segurança ao empresário, porque toda a informação de comportamento do consumidor com o comprometimento de sua renda vai ser analisada”, finaliza o vice-presidente da Acit.