Toledo

Jogo é instrumento de diálogo na prevenção da violência contra as mulheres

O jogo foi apresentada aos participantes do SEU pela primeira vez (Foto: Divulgação)

“Trilha por Direitos: jogo didático como instrumento de diálogo sobre a prevenção da violência doméstica contra as mulheres” é a materialização do estudo realizado pela equipe do Núcleo Maria da Penha – Inclusão e Direitos Sociais (Numape). O trabalho vai representar a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Toledo, no Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, na Universidade Federal de Santa Catarina, em julho.
O jogo foi apresentado como comunicação oral e oficina para a comunidade acadêmica e para os jovens durante o 19º Seminário de Extensão da Unioeste (SEU), na semana passada. A cientista social do Numape Camila Kelly Alves destaca que a escolha do trabalho reafirma o compromisso do Núcleo com o trabalho de extensão. “Por meio de uma ação socioeducativa é possível prevenir a violência”.
Na oficina, o jogo foi apresentado no dia 13 de junho. Pela manhã, ele foi aplicado aos acadêmicos da Unioeste, participantes do Seminário e profissionais que trabalham com a temática da violência contra a mulher.
No período vespertino, a oficina foi ministrada no Centro da Juventude, localizado no Jardim Coopagro. Adolescentes que frequentam os serviços de convivência e fortalecimento de vínculos jogaram “Trilha por Direitos”.

 

CONHECIMENTO – Um tabuleiro com um caminho, vivências e conhecimentos. O objetivo do jogador é concluir o trajeto com a história contada e com um final positivo para a mulher.
Conforme Camila, diversas situações são registradas na trilha. “O jogador lança o dado e o número vai representar o local em que o participante deve ficar. Na casa vai ter um ícone, o qual corresponde uma carta. Ela pode apresentar uma violência vivida pela mulher mais sútil ou complexa ou situações de entendimento e resolução de conflito”, afirma ao complementar que a situação serve para demonstrar o ciclo da violência.
A cientista social do Numape complementa que cada carta possui um dado ou uma explicação sobre um determinado tipo de violência. “O segundo tipo de situação que acontece nas casas do jogo é quando a mulher é encaminhada ou procura por um serviço da rede, como Cras, Delegacia da Mulher, Patrulha Maria da Penha, entre outros locais”.
A profissional cita como exemplo quando o jogador fica em uma casa e ela representa o atendimento promovido no Cras. “Ele vai retirar a carta como se a mulher tivesse procurado o serviço e relata a situação vivenciada no momento”.
Outro exemplo citado por Camila é quando a informação traz que o agressor entra na residência da mulher e a ameaça com uma arma de fogo. “Na próxima rodada em que o participante saberá se a polícia consegue chegar a tempo ou não”.
O jogo é lúdico e informativo. Nele, é possível conhecer os serviços da rede, os tipos de violência e os seus impactos. “O participante interage e aguarda se a mulher vai sobreviver, se a situação será resolvida ou não”, salienta Camila.

 

RETORNO – Quem jogou agradou-se com a proposta, pois o material traz muita informação e é uma ferramenta para disseminar novas ideias para aplicar em outros espaços. O material é o mundo real das situações vivenciadas pelas mulheres e com uma linguagem para a compreensão de todos os públicos. “As ideias foram formalizadas pela equipe do Numape. A escolha do nosso jogo para representar a Unioeste em um evento regional demonstra o reconhecimento do nosso trabalho”, enfatiza Camila.
Ela pondera que o jogo reafirma o compromisso dos membros do Núcleo com o trabalho de extensão. “Nessa ação, conseguimos interferir na cultura, pois a violência ainda é naturalizada. Desejamos de maneira sútil mudar a mentalidade das pessoas e apresentar as informações sobre a violência contra a mulher na sociedade”, finaliza.