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Parque Científico e Tecnológico revolucionará Toledo e região

Divulgação
Projeto do Biopark
Projeto do Biopark

Um projeto pessoal e ambicioso dos empresários Luiz e Carmen Donaduzzi foi lançado na manhã de quinta-feira (22) em Toledo. O Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark) promete revolucionar Toledo e região. Com investimento de R$ 500 milhões nos próximos cinco anos e uma área de quatro milhões de metros quadrados, o complexo abrangerá estruturas de pesquisa, universidades, indústrias e empresas de saúde. A projeção é gerar 30 mil empregos, trazer 60 mil pessoas para o município e potencializar a biociência na região.

O complexo se tornará o maior parque do Paraná, o primeiro na área da saúde. Localizado às margens da BR-182, em Novo Sobradinho, ele contará com universidades, hospitais, incubadoras, indústrias, área comercial e de serviços, startups, áreas residenciais e esportiva. Promover o desenvolvimento empresarial e tecnológico da região, incentivar a pesquisa e inovação, proporcionar a formação qualificada de profissionais na área e melhorar a estrutura da saúde estão entre os propósitos do projeto.

Mas o principal objetivo direto do Biopark é a geração de empregos. Pessoas que estudam e trabalham mudam de vida. Assim, estaremos contribuindo para uma sociedade mais justa, revela Luiz Donaduzzi ao ressaltar que muitas mentes que hoje são desperdiçadas sem oportunidade poderão se tornar grandes pesquisadores, porque o complexo possibilitará a formação técnica e a atuação, o emprego.

O segundo maior objetivo do projeto é a produção de produtos de saúde com alta qualidade e menor preço. O parque terá toda a parte de pesquisa e tecnologia que possibilitará reduzir os preços no mercado. Hoje a Prati trata de dois milhões de pacientes por dia com a produção de 45 milhões de medicamentos/dia. Somente a nossa presença no mercado abaixa os preços dos medicamentos em 25% no mercado, mas a ideia é que outros produtos para a saúde sejam desenvolvidos aqui, desde cosméticos a equipamentos médicos, e possam ser mais competitivos, salienta.

Luiz e Carmem garantem que o Biopark vai transformar Toledo e região. Sabemos que um parque tecnológico muda a região onde é implantado. Temos exemplos de alguns países onde o houve o salto brutal de desenvolvimento. Hoje vislumbramos o que será um sucesso, avalia.

 

PROJETO PESSOAL

Os idealizadores explicam que esse projeto é a contribuição deles para a sociedade civil. Esse é um projeto somente meu e da Carmem e não de todos os sócios da Prati-Donaduzzi, até porque o retorno é extremamente longo, em 20 ou 30 anos. Vamos transferir um pouco do que ganhamos para a sociedade, investiremos inicialmente R$ 100 milhões e isso tem que render frutos, revela Luiz ao citar que os principais serão os benefícios sociais, pois ao gerarem empregos estão contribuindo para a formação de famílias e sociedade estruturadas.

O empreendimento também vem fortalecer a empresa de medicamento e proporcionar a geração de mão de obra qualificada. A Prati é assediada todos os dias para ser vendida e não temos o direito ético de fazer isso. Precisamos investir aqui, em Toledo, gerar empregos e desenvolvimento na região, informa.

 

DIVERSIFICAÇÃO

O Biopark irá mudar inclusive a característica da região Oeste. Hoje tipicamente agropecuária, no futuro poderá diversificar sua economia e tornar-se um centro da biociência. Vamos aproveitar logicamente o potencial do agronegócio, utilizar os produtos como matéria prima para pesquisas, agregar valores, acrescenta.

Luiz Donaduzzi completa que a biotecnologia será o potencial nos próximos 50 anos e Toledo tem a oportunidade de acompanhar esse crescimento. Certamente tornará referência no setor, porque teremos aqui um complexo que irá gerar acima de tudo conhecimento e estamos partindo para uma era onde essa é a tendência, completa.

 

APOIO GOVERNO

Mas os visionários Luiz e Carmem não estão sozinhos nesse projeto. Eles contam com a parceria dos governos. Hoje os parques tecnológicos do Brasil são tratados a partir de um programa criado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que apoia esse tipo de iniciativa, fortalecendo a promoção do desenvolvimento tecnológico, econômico e social. No caso do Biopark, há uma diferença, porque ele não é conduzido pela universidade, mas sim por uma empresa privada.

Um dos apoiadores do projeto é o Governo do Paraná. No lançamento do projeto, o governador Beto Richa enalteceu a iniciativa e reforçou a importância do Biopark. É um projeto muito importante para região, demonstra mais uma vez a participação da Prati no desenvolvimento do Paraná. A maior fabricante de genérico do Brasil tem merecido atenção do governo do Estado, em especial nesse projeto arrojado, ressalta ao citar parcerias como cursos de graduação e convênios para a implantação do campus da universidade dentro do complexo.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná João Carlos Gomes enaltece os investimentos do Estado no setor e valoriza a iniciativa dos empresários. É um grande momento de desenvolvimento tecnológico para o Estado. O exemplo daqui certamente será levado para outras regiões, salienta.

 

AVANÇOS

O deputado federal Dilceu Sperafico reconheceu a iniciativa do casal e o impacto para o desenvolvimento da região. Nos orgulha um projeto como esse em Toledo, que trará avanço na tecnologia, geração de emprego, renda, e qualidade de vida na região, avalia Sperafico.  Opinião compartilhada pelo deputado estadual José Carlos Schiavinato. Muito importante porque oferecerá tecnologia, formação profissional adequada que alavancará o desenvolvimento do Paraná, valoriza.

Francielly Hirata
Uma coletiva de imprensa apresentou o parque que deve se consolidar em até 35 anos
Uma coletiva de imprensa apresentou o parque que deve se consolidar em até 35 anos

O QUE TERÁ NO BIOPARK

EMPRESAS E EMPREGOS

O Biopark proporcionará a instalação de diversas indústrias e empresas no local. O empresário comenta que a Prati hoje tem vazio ao seu redor por ter verticalizado todos os serviços. O parque vem proporcionar a vinda de empresas fornecedoras, novas indústrias, prestadoras de serviço. Serão centenas de empresas gerando empregos. A ideia é que em 25 a 35 anos tenhamos esses 30 mil novos postos, revela.

Ele comenta que as empresas precisam de tecnologia e ciência, que serão ofertados no mesmo espaço, o que será atrativo. Vamos trazer empresas do Brasil consolidadas e de outros países, incubadoras, novas ideias, revela ao indicar que no futuro o Biopark terá um faturamento considerável, geração de renda, empregos e impostos.

 

UFPR

Dois terrenos do complexo serão doados para universidades com o objetivo de aproximar o conhecimento científico da indústria. Luiz Donaduzzi revela que o primeiro projeto concretizado será o da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nós vamos construir e doar à faculdade de medicina para a UFPR porque precisa ter a estrutura para formar as pessoas. Uma turma já começou e outra inicia agora e o governo levaria tempo amplo para conseguir dinheiro, licitar e construir. Nossa ideia é que em um ano e meio esteja pronta, revela ao completar que no futuro novos cursos poderão ser ofertados.

A diretora do campus de Toledo da UFPR Cristina de Oliveira Rodrigues revela que essa parceira concretiza os planos de expansão na área da saúde da universidade e amplia a possibilidade de novos cursos. Primeiro vai construir o campus no Biopark e depois a área doada pela Prefeitura, em frente ao Hospital Regional, abrigará um segundo campus, adianta.

 

UNIOESTE

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) também ganhará um campus novo dentro do parque tecnológico. Essa é uma das parcerias com a universidade, já que a Prati, de forma inédita, vem participando da formação profissional dos acadêmicos. O empresário Luiz Donaduzzi lembra a parceria com o curso de residência farmacêutica e agora com o novo curso de química medicinal, onde universidade e indústria estão entrelaçadas.

Ele afirma que é essencial a parceria para formar profissionais que o mercado precisa, pois hoje a indústria e universidade são ainda muito distantes. O grande diferencial desse projeto do Biopark é que ele é uma demanda da indústria para as universidades. A Prati será empresa âncora e junto com as demais demandarão as necessidades de pesquisas e conhecimentos pela universidade, completa.

O reitor da Universidade em exercício Moacir Piffer revela que agora serão acertados os convênios para a construção do novo campus. O que proporcionará o crescimento dos cursos de graduação e pós-graduação, especialmente, os da área da saúde. Já temos a química medicinal e podemos trazer outros, como a engenharia química, farmácia e outros, salienta ao indicar que o projeto é importante para diversificar a economia da região, que poderá ter importante peso da tecnologia e ciência.

 

HOSPITAIS

O Biopark terá um espaço destinado para a saúde, especificamente, para a construção de dois hospitais, o da Unimed e o da Associação Associação Beneficente de Saúde (Hoesp), mantenedora do Hospital Bom Jesus. A previsão é que o hospital da Unimed ofereça 300 leitos e o Bom Jesus, 500 leitos.

O idealizador Luiz Donaduzzi revela que no caso do Hospital Bom Jesus, o terreno foi doado pelos empresários, assim como a construção de uma ala para atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Vamos contribuir do nosso bolso e o restante será buscado com os governos, porque precisa de investimentos pesados, indica.

O superintendente do Hospital Bom Jesus Thiago Stefanello revela que já houve contatos com empresas de arquitetura e urbanismo para levantar os custos do projeto e execução da sede no Biopark. Também já estamos dialogando para alocar recursos para a construção, revela ao indicar que a fase é de formatação do projeto estratégico para que nos próximos dois anos as emendas e recursos junto ao Ministério da Saúde possam ser conquistados.

A intenção, segundo ele, é que em até seis ou sete anos a Hoesp tenha sua sede própria, melhorando a qualidade de atendimento da população. O projeto é de 500 leitos, a construção será em partes, iniciando com 200, que é o que tem a atual estrutura, informa.

 

INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA

Um projeto dessa dimensão exige melhorias na logística e infraestrutura de Toledo e região. A mais imediata, segundo o empreendedor, está programada com acessos pela PR-182 e uma entrada pela avenida Barão do Rio Branco.

Além dos acessos, a própria estrutura prevê áreas residenciais, que deverão ser procuradas pelo setor imobiliário conforme a efetivação do parque for se consolidando. Não se tornará um distrito isolado e solto de Toledo, haverá integração, afirma ao reforçar que o Plano Diretor novo já contempla as mudanças com o Biopark.

Mas mais amplamente o setor de logística e infraestrutura regional precisarão de melhorias, como as ferrovias, rodovias e principalmente o aeroporto. Esse será nosso grande gargalo no futuro. Hoje o aeroporto comporta aeronaves pequenas e precisamos de maiores. Será preciso uma discussão muito forte nos próximos anos, adianta e reconhece a dificuldade.

 

INTEGRAÇÃO

Richa lança programa de Parques Tecnológicos no Paraná

Suzi Lira
Conselho Estadual de Parques Tecnológicos foi criado durante lançamento do Biopark
Conselho Estadual de Parques Tecnológicos foi criado durante lançamento do Biopark

Durante o lançamento do Biopark em Toledo, o governador Beto Richa assinou a portaria que cria o Complexo Paranaense de Parques Tecnológicos. O objetivo é incentivar a parceria entre governo, universidades e setor produtivo para a criação de projeto de inovação e desenvolvimento de novas tecnologias.

O decreto assinado institui o Conselho Estadual de Parques Tecnológicos (Cepartec), que terá a missão de elaborar uma política pública para a implantação de parques tecnológicos. Entre as funções do conselho estão as de mapear as iniciativas existentes nessa área, apontar segmentos prioritários, aprovar e acompanhar a implantação dos parques além de buscar fontes de recursos para os projetos.

Presidido pelo governador Beto Richa, o Cepartec terá a participação de secretarias de Estado, universidades, entidades representativas de classe e institutos de pesquisas.

A ideia, segundo o governador, vem de São Paulo, onde já existe um projeto integrado de vários parques. Isso proporciona o crescimento homogeneizado, ordenar e integrar ações dos parques, buscando a participação das universidades, contribuir para o projeto de pesquisa, inovação e tecnologia e geração de empregos qualificados, justifica.

O governador revela que mais parques serão implantados no Paraná. Iremos instalar parques regionais e o complexo vai ordenar e integrar as ações de todos eles, revela. A intenção é estabelecer parques tecnológicos de quarta geração no Estado, capazes de agregar universidade, governo, institutos de pesquisa. Uma das principais demandas das empresas que estão investindo no Estado é saber, por exemplo, as áreas onde estão as pesquisas e o desenvolvimento tecnológico no Estado. Além disso, mapear essas iniciativas vai evitar, por exemplo, duplicidade de projetos, acrescenta.