Oeste rural

Setor avícola precisa buscar novas oportunidades de mercado para manter seu crescimento

(Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Após primeiro semestre com dificuldades, avicultura deve diversificar produtos e ampliar exportação com parceiros, segundo análise do roteiro de campo da Expedição Avicultura

Com uma produção diária de 16 milhões de frangos e 40 bilhões de ovos por ano, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil precisa buscar novas oportunidades no mercado, diversificando os produtos exportados e ampliando sua participação de negociação com os parceiros comerciais, para conseguir manter o crescimento produtivo e de receita no setor. Esse é o diagnóstico da Expedição Avicultura 2018, levantamento técnico-jornalístico, que divulgou o balanço de seu roteiro de campo nesta quarta-feira (8), em evento na sede da Brado Logística, em Cambé (PR).

A equipe de jornalistas e técnicos percorreu 16 mil quilômetros em 42 cidades de sete estados referência na produção de aves do Brasil: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Pernambuco, que representou a Região Nordeste pela primeira vez no roteiro da equipe. "Com o aumento do poder aquisitivo do brasileiro desde a última década, o consumo de carne aumentou, principalmente no Norte e Nordeste brasileiro. E por ter um valor menor no mercado, o frango consegue se inserir ainda mais na mesa dos brasileiros", afirmou o

gerente do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo e coordenador do projeto, Giovani Ferreira.

Durante três meses, foram visitadas 150 empreendimentos entre granjas, agroindústrias, cooperativas, produtores e corredores de exportação. "A nossa expectativa é que o setor consiga se aproximar dos números de 2017 nesse segundo semestre, conseguindo em 2019 voltar a ter crescimento de produção e receitas", explica Ferreira. Essa avaliação também é compartilhada pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, que ressaltou a importância da análise do mercado para a avicultura. "Estamos trabalhando com inteligência e organização, integrando toda a cadeia para alcançarmos juntos e de forma mais eficiente nessa recuperação".

 

NOVOS DESTINOS

Ao analisar novas oportunidades, o México se mostra um parceiro comercial para essa demanda, tendo uma economia emergente e com crescimento de 32% em suas exportações no primeiro semestre de 2018 (68, 8 mil toneladas), em comparação com o mesmo período do ano

anterior (47 mil toneladas), segundo dados da  Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Atualmente o Estados Unidos é o principal exportador dessa proteína ao mercado mexicano, embarcando 637 mil

toneladas ao país em 2017, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

 

Para o Gerente Regional de Avicultura da Boehringer Ingelhein, Emerson Godinho, também é preciso que a avicultura nacional busque mercados com baixos índices de consumo per capita da carne de frango. "Países com economias crescentes e com populações com bilhões de habitantes, como a China e a Índia, se aumentarem um ou dois quilogramas por pessoa, já impacta positivamente em nossa produção".

Os mecanismos para conseguir atender a essas demandas de produção também são fundamentais para o setor. O gerente executivo de cargas reefer da Brado, Carlos Pelc, destacou a importância da logística para o desenvolvimento da avicultura paranaense. "A avicultura representa 75% das movimentações do Terminal Intermodal da Brado em Cambé. É uma atividade sustentável que gera empregos e impulsiona a economia da região". Outra ferramenta citada no evento foi a

aplicação de tecnologia, reforçada pelo presidente executivo da SPRO IT Solutions, Almir Meinerz. "A informação é o bem mais valioso dentro do agronegócio. Por isso é fundamental que o

produtor esteja integrado com o que ocorre em sua propriedade, tendo dados em tempo real para suas tomadas de decisões".

Participaram também do evento o Diretor-Presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo Dalberto, e o prefeito de Cambé, Zé do Carmo (PTB). Ambos destacaram a importância do produtor dentro da cadeia do agronegócio, base da economia do Paraná e do Brasil.