Economia

Temores de recessão nos EUA apoiam queda de dólar, mas Previdência limita ajuste

O mercado de câmbio ajusta o dólar em baixa na manhã desta quarta-feira, 5, influenciado pela queda da moeda americana frente seus pares principais e a maioria das divisas emergentes e ligadas a commodities - em dia de liquidez reduzida no exterior com o feriado nos Estados Unidos. Mas operadores afirmam que as perdas ante o real são limitadas pela queda do petróleo, após a alta da commodity na terça-feira, e ruídos em relação à reforma da Previdência.

"A iniciativa do futuro governo de fazer a reforma da Previdência fatiada em quatro anos é uma temeridade, porque o presidente eleito e sua equipe geraram expectativas no mercado de que tentariam fazer a reforma ainda no primeiro ano de governo", diz o economista Homero Guizzo, da Guide Investimentos.

"A expectativa era de que o governo apresentasse uma proposta de reforma da Previdência ainda no primeiro semestre ou, no primeiro ano da gestão, mas agora essa previsão foi frustrada e causa ruído nas mesas de operação, deixando o dólar ante o real mais perto de R$ 3,850, mesmo em baixa, do que dos R$ 3,80", comenta.

No caso da cessão onerosa da Petrobras, uma decisão de deixar para 2019 as negociações em torno do projeto de revisão não é tão problemática, porque deve ajudar o novo governo a cumprir a regra de ouro do Orçamento, avalia Guizzo.

No exterior, o mercado sustenta a aversão ao risco, mesmo sem negócios em Nova York, uma vez que uma inversão na terça-feira da curva de juros dos Treasuries entre T-Notes tem aumentado as preocupações sobre uma possível recessão nos EUA, limitando os ganhos do dólar.

Uma inversão na chamada curva de juros, constatada quando a diferença entre a ponta longa e a ponta curta se torna negativa, é conhecida por preceder recessões econômicas, como aconteceu em 2007.

Às 9h32 desta quarta-feira, o dólar à vista recuava 0,36%, a R$ 3,8414. O dólar futuro de janeiro de 2019 caía 0,30%, a R$ 3,8435.