Toledo

Toledo sedia Fórum Mais Milho

No evento foram apresentados temas como mercado, clima, custos de produção e tecnologia para a cultura do milho.
Evento reuniu produtores de Toledo e região no Teatro Municipal (Foto: Franciele Mota)

A cidade de Toledo recebeu na tarde da última quinta-feira (17) a 4ª edição do Fórum Mais Milho no Teatro Municipal, um evento realizado pelo Canal Rural em parceria com o Sindicato Rural de Toledo. O Fórum encerra a segunda edição do projeto, que iniciou em Jataí (GO), e também passou pelas cidades de Concórdia (SC) e Campo Novo do Parecis (MT).

Produtores rurais de Toledo e região compareceram ao encontro onde foram discutidos temas como mercado, clima, custos de produção e tecnologia para a cultura do milho. “Nosso objetivo é trazer mais informações para os produtores com muitas pessoas especializadas no assunto”, comenta o presidente do Sindicato Rural de Toledo Nelson Paludo.

Ele conta que alguns temas trazidos no Fórum foram dificuldades apresentadas pelos produtores e que o momento é de achar novas soluções para a produção do milho. Entre as novidades no evento esteve a apresentação de um aplicativo específico para o produtor rural, o Field Wiew.

“É uma tecnologia nova no país, um aplicativo onde o produtor controla sua propriedade na palma da mão e tem todas as informações guardadas. Ele marca a velocidade da plantadeira, a distribuição da semente, o que aconteceu no plantio, é um mapa de produtividade”, cita.

Com o aplicativo, o produtor fará uso da Agricultura Digital e a Ciência de Dados na tomada de decisões em sua produção. “Ele poderá identificar os pontos fracos da propriedade e fazer uma análise criteriosa para poder acertar cada vez mais. Temos que errar cada vez menos e acertar cada vez mais. E para que isso aconteça nós precisamos de mais informação”, complementa Paludo.

 

CUSTO DA PRODUÇÃO

O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Mauro Osaki falou no evento sobre custo de produção e como se organizar para a próxima safra. Ele também fez uma avaliação do custo de produção do campo brasileiro. Segundo o pesquisador, o setor teve uma estabilidade nos últimos três anos.

Mas o maior problema, segundo Osaki, é a receita do bruto, a variação, tanto em função do baixo preço quanto da quebra de produtividade. É um cenário observado desde a safra de 2014 em uma análise a longo prazo. “Então essa é a primeira vista que a gente consegue observar. E na ideia de quais são os principais fatores que têm implicado nessa elevação de custo nós podemos listar alguns: fertilizantes, defensivos agrícolas, sementes, diesel e manutenção. Esses são alguns dos fatores que impactam diretamente na estrutura de custo de produção”, salienta ao completar que a logística também influencia no custo da produção.

 

QUEBRA DE PRODUÇÃO

O Paraná é o segundo maior produtor de milho do país e Toledo é o maior produtor do grão no Estado, com uma produção estimada em 2,5 milhões de toneladas nas duas safras deste ano. E apesar das boas expectativas com a produção na região, o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) Glauber Silveira comenta que o país teve uma quebra de produção.

“Na expectativa de safra que a gente tinha normal, tínhamos uma produção menor que a safra passada, então agora já quebrou. A além da expectativa de ser menor, já temos uma quebra um pouco maior, deve quebrar mais uns cinco milhões de toneladas, em virtude principalmente da seca que deu aqui no Paraná”, cita.

Silveira complementa que a falta de chuvas em alguns Estados atrasou o plantio do milho e prejudicou a safra. Mas ele ainda aponta um lado positivo desse cenário. “Tem aquele produtor que plantou na época certa, que não sofreu e vai ganhar dinheiro, porque, muitas vezes, tem uma quebra de produção em 10%, mas tem um aumento de preço de 30%”, reforça.

 

CLIMA

Meteorologista traz boas notícias para o produtor rural

No Fórum Mais Milho, evento realizado no Teatro Municipal na última quinta-feira (17), a meteorologista da Somar Meteorologia Desirée Brandt apresentou uma palestra sobre as expectativas climáticas para esta e a próxima safra de grãos.

A meteorologista comenta que a seca das últimas semanas prejudicou bastante a produção de milho. “Eu tenho relatos de produtores que perderam em torno de 80% da lavoura por causa da falta de chuva. Agora veio essa chuva na semana passada em Toledo e isso marcou a mudança do padrão. O bloqueio terminou, perdeu força e agora as frentes frias conseguem chegar ao Paraná provocando chuva”, cita.

Além do fim do bloqueio atmosférico, Desirée traz notícias sobre o frio para a região. Apesar da massa de ar frio que avança pelo Estado ainda não há previsão de geada na próxima semana, será apenas uma queda bem acentuada de temperatura, o que vai acontecer com mais frequência ao longo do outono e do inverno.

Para o segundo semestre, a meteorologista conta que há uma expectativa do aquecimento do oceano Pacífico e isso já deixa a próxima safra de verão com condições diferentes do que foi em 2017. “No ano passado, nós tivemos o La Niña que é o resfriamento do Pacífico. Este ano, o oceano Pacífico tende a aquecer, não chega a formar um El Niño, por enquanto não, pode ser que forme, mas de qualquer maneira já deixa as condições diferentes para a próxima safra”, reforça.

 

CHUVA

Desirée ainda lembra que o vazio sanitário do Estado do Paraná vai terminar mais cedo, isso quer dizer que em meados de setembro o produtor já quer plantar novamente. Surge então a dúvida se a chuva virá nesse período. “Vai ter chuva, só que ela chega de forma irregular. O bom é que talvez ao longo do inverno a frequência de chuva dê pelo menos um início com umidade e basta chegar a uma chuva boa no decorrer da segunda quinzena de setembro que dá para seguir bem”, comenta ao complementar que por enquanto não tem nenhuma condição preocupante.

 

FRIO

A meteorologista comenta também que o frio de 2017 demorou para ir embora. Neste ano, a previsão é de que o inverno termine mais cedo em relação ao ano passado, mas sem descartar a possibilidade de geadas ainda no mês de setembro. “Não é um risco alto, mas não dá para descartar. Porque se a gente já tivesse um El Niño formado, poderíamos ue descartar essa possibilidade, como não é o caso, começou por enquanto uma neutralidade climática, então existe esse risco para a entrada de uma massa de ar polar que pode derrubar a temperatura”, finaliza.

 

PRODUÇÃO RURAL

Senador Álvaro Dias participa de debate sobre o agronegócio

Senador comentou os avanços e conquistas do agronegócio (Foto: Franciele Mota)

Dentro da programação do Fórum Mais Milho em Toledo, o senador Álvaro Dias participou de um debate com o vice-presidente do agronegócio do Banco do Brasil Tarcísio Hübner, além do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura Wilson Vaz de Araújo, entre outros convidados.

Dias cumprimentou os participantes do evento e parabenizou pelo trabalho árduo no campo, responsável por grande parte do movimento econômico da região. Ele comentou os avanços na área do agronegócio e as conquistas do setor.

Em entrevista coletiva o senador, que é pré-candidato à presidência, falou como será a caminhada na campanha eleitoral do Paraná. “Eu - por enquanto - estou de longe observando, não vejo ainda necessidade de qualquer interferência. O meu sonho é unir o Paraná em torno do projeto presidencial. Acho que é uma grande oportunidade que o Estado tem”, cita.

Dias reforça que está aproximando de um momento em que a candidatura paranaense poderá inclusive reunir uma convergência nacional e ele lembra que o Estado, que sempre reclamou de que foi preterido, colocado em segundo plano, tem agora uma oportunidade de recuperar o tempo perdido elegendo um presidente da terra. “Então o meu sonho é esse, é reunir todos os paranaenses, independente de facções partidárias, de desavenças antigas ou recentes que prevaleça o interesse paranaense, porque somos todos Paraná”, reforça.

Sobre as composições do partido, Dias falou que as conversas acontecem com muita prudência. “Na verdade, são vários partidos que estão discutindo a hipótese de uma convergência em torno de candidatura de centro e certamente temos que ter paciência e aguardar um pouco mais, superar algumas etapas para o momento adequado fazer a avaliação política e chegar à conclusão de qual é o melhor nome para liderar esse processo de convergência”, salienta o senador.

Durante a coletiva, Dias foi questionado sobre a hipótese de também estar fora da campanha política por envolvimento em atos ilícitos. O pré-candidato comenta que essa é uma questão com a Justiça, que ele participou de muitas CPIs, investigação de corrupção, mas que agora, segundo ele, o papel é outro, o da construção.

“Foi o tempo em que nós tínhamos que usar todas as armas de combate a corrupção com denúncias, com inquéritos, com investigações, em CPIs, com representações ao Ministério Público, a instauração de inquéritos, mas agora nós temos a missão de propor solução ao Brasil, e essa parte fica com a Polícia Federal, como MP e fica com a Justiça”, salienta.