Toledo

Tuberculose: 13 pessoas estão em tratamento em Toledo

Ao apresentar sintomas, o cidadão deve buscar por atendimento clínico (Foto: Graciela Souza)

Apesar de ter tratamento a tuberculose é a doença que mais mata no mundo. Em Toledo, até o mês de agosto deste ano, 13 pacientes estão em tratamento. No entanto, a responsável pelo setor no município acredita que este número pode ser maior.

A enfermeira do setor de tuberculose da Vigilância Epidemiológica de Toledo Marlene Abegg Ensina explica que o diagnóstico é realizado na Vigilância Epidemiológica ou nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).

De acordo com Marlene, os casos estão controlados no município, entretanto, ainda é possível haver mais investigação. “A doença pode iniciar no sistema respiratório. Mas, nem todas as pessoas buscam por atendimento médico ou solicitam o exame”, lamenta ao informar que o ano de 2017 fechou com 24 pacientes e 2016 com 18.

Outro dado apresentado pela profissional é que a maioria dos pacientes com diagnóstico positivo para a doença é homem. Neste ano, já somam nove. Ano passado foram 19 e no ano anterior 14.

 

TRATAMENTO

Logo após o diagnóstico da enfermidade, o paciente inicia o Tratamento Diretamente Observado (TDO). Ele é à base de antibióticos e é eficaz, porém Marlene destaca que não pode haver abandono. Ela pondera que a cura da tuberculose leva seis meses, mas muitas vezes o paciente desisti antes do tempo. “Para evitar o abandono, o tratamento é importante que o paciente seja acompanhado por equipes com médicos, enfermeiros, assistentes sociais e visitadores devidamente preparados”.

A enfermeira ainda cita que a estimativa é que o tratamento tenha uma duração de seis meses, entretanto, pode chegar a nove. Marlene comenta que a bactéria está resistente à medicação. “Esse é um fator mundial. Acreditamos que esse tipo de situação aconteça porque muitas pessoas ainda possuem o hábito de se automedicar. Com isso, quando existe a necessidade de tomar um antibiótico, ele não é eficaz”. No ano passado, nenhum paciente abandonou o tratamento.

 

TRANSMISSÃO

A transmissão da tuberculose é de pessoa a pessoa. “O cidadão com a doença ao falar, espirrar ou tossir pode expelir gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o”, relata Marlene. Má alimentação, falta de higiene, tabagismo, alcoolismo ou qualquer outro fator que gere baixa resistência orgânica, também favorece o estabelecimento da tuberculose.

A enfermeira menciona que o desafio é investigar o paciente sintomático e, por consequência, aumentar o diagnóstico. “Uma pessoa que apresenta tosse por mais de três semanas deve buscar por atendimento médico. Um cidadão imunodeprimido o tempo diminui para duas semanas”, relata ao finalizar que o diagnóstico sendo positivo, a equipe de saúde investiga os contatos mais próximos deste paciente.

 

AÇÕES

No início deste mês, aconteceu uma reunião preparatória para a criação do Comitê Interministerial pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública no país.

Em 2017, o Brasil notificou 72.000 casos novos da doença. Com a criação do organismo interministerial será possível fortalecer o desenvolvimento de ações multissetoriais direcionadas à proteção social, à garantia dos direitos humanos, à educação e à cidadania da pessoa com tuberculose, bem como garantir a intensificação da pesquisa e a inovação para a incorporação de iniciativas inovadores visando o aprimoramento do controle do agravo.

No ano de 2017, em consonância com a Estratégia pelo Fim da Tuberculose da Organização Mundial de Saúde (OMS) foi lançado o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública. O plano apresenta como metas reduzir os coeficientes de incidência da doença para menos de dez casos e de mortalidade para menos de um óbito a cada 100 mil habitantes até 2035. As estratégias de enfrentamento estão organizadas em três pilares: prevenção e cuidado integrado centrados na pessoa com tuberculose; políticas arrojadas e sistema de apoio; e intensificação da pesquisa e inovação.