Toledo

Um dia em que Toledo se vestiu de Azul...

No Aeroporto Afonso Pena uma pequena cerimônia marcou o início oficial das operações da Azul para Toledo (Foto: Márcio Pimentel)

Sentado ao lado do amigo Ailor DallaCosta a emoção tomou conta quando o ATR 72 da Azul iniciou o procedimento para pouso e, entre as nuvens, foi possível observar a beleza de Toledo. A visão do alto permite perceber o crescimento verificado nos últimos anos e que agora poderá ter um novo ciclo com a conexão de voos com Curitiba. A emoção encheu meus olhos de lágrimas porque se passou um filme em questão de segundos, não apenas pela luta incessante de tantas lideranças – políticas e empresariais – para a retomada dos voos comerciais a partir do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho; não apenas pelo dia histórico do qual eu testemunhava e fazia parte; mas por tudo isso e muito mais.

Lembrei-me de quando ainda era estudante na Universidade Federal do Paraná e dos desafios para chegar até esta quarta-feira, um 9 de janeiro de 2019 que entrou para a história por ser a primeira vez de um voo da Azul pousando em Toledo de maneira regular. E lá estava eu, testemunha desse momento sentado, quis o destino, na poltrona 1C. As lágrimas foram inevitáveis ao sobrevoar Toledo mais uma vez.

Ah, sim, esta não foi a primeira vez que voava. Tampouco era o primeiro voo comercial a Toledo. Muito menos era o primeiro avião que pousava no Luiz Dalcanale Filho. Mas era como se fosse! E o voo teve fatos realmente marcantes, começando pela recepção no Aeroporto Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba, onde a direção da Azul preparou um coquetel para os passageiros. Ou seriam testemunhas da história? Ronaldo Veras, assessor especial da empresa dava as boas-vindas e adiantava: a partir de abril a Azul deverá ampliar para seis o número de voos entre Toledo e Curitiba.

 

EMOÇÃO EM FAMÍLIA

E o que dizer as irmãs Jessica e Gisele Pereira dos Reis, as comissárias do histórico ,voo 9243. Elas nasceram e cresceram em Toledo e voavam pela primeira vez a trabalho juntas. Foram recebidas por parentes e amigos que se acomodaram ao longo da cerca do aeroporto, assim como centenas de outros toledanos que foram conferir de perto este momento tão especial na vida da cidade e da região.

Emoção também de Juliana e do pequeno Pedro, que viajavam de Itu, interior de São Paulo, para visitar os parentes em Toledo. Emoção do comandante Douglas Gentil, que passou toda infância e uma parte da adolescência em Toledo, onde despertou o sonho de voar quando viu um avião da Rio Sul fazer o mesmo procedimento que ele há alguns anos, quando ainda o aeroporto toledano recebia voos regulares.

 

TRANQUILIDADE

Pontualmente às 13h30 o ATR 72 decolou do Afonso Pena. Antes o comandante Gentil compartilhou da emoção que estava sentindo. E que aumentou quando ele sobrevoou antigos locais por onde brincava ao lado dos amigos. Ao seu lado o oficial Almenara, que completou o quadro da tripulação pioneira.

A decolagem era um indicativo do que viria pela frente: um voo muito, muito tranquilo. OK, o ATR não é como um jato de grande porte, mas isso não lhe tira a imponência de cortar o ar com suas poderosas hélices. Um charme a mais neste voo com direito a certificado e tudo.

A aproximação em Toledo, comparada a Cascavel – onde o mesmo ATR pousa há algum tempo – é completamente diferente. Pela janela era possível observar o avião da Azul margeando a BR-467 e fazendo uma leve curva para alinhar à pista e pousar, sereno e seguro, como um grande pássaro que escreveu seu nome na história de uma cidade que tradicionalmente usa o vermelho, o branco e o verde para contar sua trajetória, mas que nesta quarta se vestiu de Azul e, quem sabe, não seja esta a nova cor para o futuro de uma cidade que aprendi a amar de alma e coração.

*O jornalista viajou a convite da Azul