Orlando quer cassar alvarás por racismo

O candidato a prefeito de São Paulo pelo PCdoB, Orlando Silva, defendeu medidas mais duras para enfrentar o racismo na cidade. Em sabatina do Estadão nesta terça, 3, ele propôs punir estabelecimentos que registrem de forma reincidente casos de racismo com a cassação de seu alvará de funcionamento.

“A Prefeitura é quem concede o alvará, então ela pode definir as regras. A responsabilidade vai fazer com que o dono do estabelecimento não fale que ‘a culpa é do vigilante’. Ele que treine o vigilante, prepare os funcionários. Ninguém pode ser perseguido num shopping, atacado em mercado, por ser negro.”

Orlando afirmou que, caso eleito, espera poder discutir o tema com vereadores para definir o modelo de punição. “Pode ser uma notificação ao estabelecimento no ato e, em caso de reincidência, pode ter o alvará cassado. É uma forma de endurecer, fazer medidas efetivas para inibir esse tipo de conduta. Se não formos ofensivos no enfrentamento ao racismo estrutural, nada vai acontecer. Todo dia morre um George Floyd na periferia de São Paulo”, afirmou ele, citando o afro-americano morto por policial branco, em junho, durante abordagem policial em Minnesota, nos Estados Unidos.

BOLETIM DE OCORRÊNCIA

Na entrevista, Orlando Silva falou sobre um boletim de ocorrência registrado por ele ontem denunciando ofensas racistas que tem recebido em redes sociais. “Fiz a denúncia porque não podemos naturalizar atos racistas. Eu elevo o tom na crítica ao bolsonarismo, vem uma onda nas redes sociais. Tudo bem me chamar de comunista Agora, você atacar a minha condição de negro? Não é aceitável. Quero que seja apurado quem são os autores, porque é preciso ter pedagogia.”

ESQUERDA NAS ELEIÇÕES

O deputado criticou outros candidatos do campo da esquerda à Prefeitura. Sem citar nomes, ele disse que um “fica falando sobre a eleição para governador em 2018” (em referência a Márcio França, do PSB), outro fica citando o que fez no “século passado” (Jilmar Tatto, do PT, ex-secretário dos governos Marta Suplicy e Fernando Haddad) e outro fica “sorrindo com calhambeque para lá e para cá” (Guilherme Boulos, do PSOL, que tem utilizado seu carro, um Celta, em peças de campanha). “Estamos num Brasil de Bolsonaro. Temos que fazer desse processo eleitoral um momento de denúncia. Não dá para ficar sorrindo o tempo inteiro. Dizem que sou muito sério. Não temos motivos para sorrir.”

COMUNISMO

Orlando foi questionado se seu partido tentava “esconder” o “comunismo” ao apostar na marca “Movimento 65”. Ele afirmou que a nova marca atrai para o debate público pessoas que não sejam necessariamente “comunistas de carteirinha”. “Eu sou comunista, graças a Deus”, disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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