Editorial
A sinceridade de Guedes

Esta semana o ministro da Economia Paulo Guedes foi, uma vez mais, à Câmara Federal na condição de convocado para responder aos questionamentos dos integrantes da Comissão de Finanças. Sem meias palavras o ministro foi enfático na defesa da Reforma da Previdência, não se esquivou do debate – mesmo em assuntos mais delicados e ainda por cima rebateu a oposição que a todo momento tentou tumultuar o encontro, transformando um debate técnico em palanque eleitoral. A sinceridade de Guedes é motivo de comemoração num país acostumado aos discursos evasivos e falsos, às lorotas contadas sem o menor constrangimento e que levaram o país a esta situação do caminho sem volta.

Pode-se até não gostar muito do que disse o ministro aos parlamentares e certamente muitos dos que lá estavam não gostaram, entretanto, não se pode acusar o ministro de omissão ou de mentiras. Disse aquilo que precisava ser dito e até poderia fazê-lo de outra forma, porém, está na hora de alguém sair da mesmice e provocar o impulso para tirar o cidadão brasileiro de seu sono em berço esplêndido. Alertou o ministro: ou se faz algo agora ou então o Brasil caminha a passos largos para se tornar a próxima Argentina e, num cenário mais sombrio, uma Venezuela, algo que, convenhamos, só não aconteceu porque o Brasil é muito maior que estes dois países e, mesmo que capenga, suas instituições ainda funcionam e impediram um mal maior.

A sinceridade de Guedes é uma luz em meio à negritude de pensamentos demonstrada durante o debate na Câmara Federal, onde alguns nobres parlamentares pareciam mais dispostos a defender o próprio rabo a ouvir explicações técnicas sobre um assunto da mais alta relevância não apenas para o governo do presidente Jair Bolsonaro, mas para os vindouros, pois esta não será a primeira e única reforma a ser feita. Outras necessitam serem feitas, mas é preciso começar por algum lugar e, no entendimento da turma econômica, é justamente este o atalho a ser tomado para fazer o Brasil voltar a crescer. Só que para isso será necessário mais que apenas a sinceridade do ministro da Economia. Será necessária a consciência da maioria dos parlamentares dentro do Congresso, algo que nos últimos anos tem sido difícil perceber existir.