Editorial
A verdadeira inclusão social

Quem passa com um olhar mais atento pelas ruas de Toledo certamente percebeu uma ligeira transformação em sua paisagem urbana, com verdadeiros acampamentos a céu aberto espalhados em alguns pontos da cidade, em especial próximos ao Ginásio de Esportes Alcides Pan, ao Terminal Rodoviário e ao Terminal Urbano. Índios, aristas e moradores de rua montam suas tendas ou simplesmente estendem seus cobertores onde é possível em busca de um local para passar a noite. É de doer na alma as cenas que antes eram vistas apenas em centros urbanos maiores, mas que agora são facilmente encontradas nas esquinas, nos semáforos e nas praças.

Aí cabe uma pergunta: exceção àqueles que realmente querem permanecer nesta vida maluca e arriscada das ruas, consumindo álcool e outros tipos de drogas, o que está sendo feito para tentar melhorar a vida de quem busca uma saída?

Não se trata de uma resposta fácil, muito menos de solução simples para um problema crônico e que não acontece apenas no Brasil, afinal, quando um país passa por momentos econômicos delicados, é notória a pressão social que ocorre. Mas num país onde o paternalismo governamental é histórico e gigantesco, torna-se ainda pior buscar uma solução, afinal, mais fácil é dar o peixe que ensinar a pescar, como bem diz o ditado popular.

E é justamente este o ponto que precisa começar a ser rediscutido nas políticas de assistência social no país, pois o modelo que aí está parece não servir mais. É um modelo pautado na benevolência total, quase sem exigir nada em troca. Péssimo sob todos os ângulos, afinal, estas pessoas sim precisam de ajuda, mas também devem contribuir para recebê-la. É a velha máxima dos direitos e deveres. Uma sociedade não pode ser construída apenas sobre os pilares dos direitos, pois se corre um sério risco de desabamento social, como ocorre no Brasil. E não de hoje!

A verdadeira inclusão social não passa apenas pela benevolência de programas sociais que distribuem de tudo um pouco às famílias mais necessitadas ou pelas campanhas de doação de roupas ou alimentos. A verdadeira inclusão social deveria levar em conta também a necessidade da contrapartida em buscar o conhecimento, a capacitação para se conseguir um emprego digno e sobreviver de seu próprio esforço.