Editorial
Bolsonaro e a Globo

As mais recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro contra o posicionamento jornalístico da Rede Globo reacenderam o acirramento contra a imprensa de maneira geral. Desde antes de assumir a Presidência da República o então deputado federal já dava sinais de descontentamento com a mídia, com a “vênus platinada” sendo seu alvo principal, assim como o jornal Folha de São Paulo. Não que o presidente tenha de ser simpático à imprensa, a contrário, tem todo direito de pensar o que bem entender, assistir aquilo que mais lhe convém ou ler o que lhe der na telha.

Não pode, entretanto, sair por aí disparando impropérios como ainda fosse um mero candidato sem perspectiva. Hoje Bolsonaro ocupa o mais ato posto do Executivo nacional e deveria se comportar como tal. Na maioria das vezes não o faz, como ainda estivesse no – vitorioso – palanque eleitoral. Mais preocupante ainda é perceber como reverbera em outros setores os destemperos do presidente contra a mídia, tanto assim que em Toledo parece haver muitos de seus seguidores, um séquito desprovido do mais mínimo senso de coerência nas ações e discursos.

Bolsonaro e a Globo são apenas mais um capítulo de uma verdadeira batalha contra a democracia e a imprensa livre. A emissora pode até estar exagerando nas críticas e se precipitado na divulgação de algumas informações, entretanto, o erro é inerente à profissão do jornalismo porque, felizmente, ainda é feito por seres humanos, portanto, passíveis de erros. Ainda assim existem os caminhos legais para punição por eventuais erros. A Justiça foi criada justamente para este fim e, enquanto presidente da República, Jair Bolsonaro poderia dar outro grande exemplo os brasileiros e trilhar este caminho, por sinal bastante justo.

Esquece o presidente, assim como seus fiéis escudeiros espalhados Brasil afora, que graças a esta mesma Rede Globo, Folha de São Paulo e a mídia em geral, é que escândalos foram denunciados e, de certa forma, ajudaram a construir a campanha vitoriosa nas urnas em outubro passado. Nesse ponto o atual presidente em nada difere de seus antecessores petistas, os quais igualmente tentaram criar um anticlímax à imprensa que, felizmente, sobreviveu àqueles ataques e certamente sobreviverá a este também.