Editorial
Bom senso

A Câmara de Vereadores em Toledo é um universo interessante. Por um lado tem figuras folclóricas, enquanto de outro verdadeiros doutores em termos políticos. Ao mesmo tempo nas reuniões são promovidos debates do mais alto nível para, logo em seguida, descambar ao mais baixo nível do raciocínio, deixando perplexo até o mais ferrenho defensor da classe política. Lá, no Legislativo, são discutidas propostas risíveis e apresentadas homenagens quase impossível de serem-lhe imputadas quaisquer tipos de elogios, enquanto por outro surgem verdadeiras obras-primas do envolvimento da classe política com a sociedade. Enfim, a Câmara de Toledo nada mais é que o reflexo da própria política brasileira, como se acompanhou na quarta-feira durante o início da votação da proposta de Reforma da Previdência.

Dessa vez é preciso destacar uma proposta que pode ser considerada de bom senso por parte dos vereadores da base de apoio ao prefeito Lucio de Marchi. Emendas assinadas pelos vereadores já deixarão no Orçamento de 2020 valores para serem aplicados em projetos que beneficiam a sociedade inteira. Aproximadamente R$ 2 milhões, ao invés de irem para o Orçamento da Câmara, ficarão automaticamente no caixa da Prefeitura para destinação específica, conforme debatido esta semana.

A decisão acaba, de certa forma, com o populismo – positivo, frise-se – de todo ano os vereadores ‘devolverem’ recursos não aplicados em ações dentro do Legislativo. Pela atual proposta isso será feito de maneira antecipada. Não que os vereadores toledanos sejam gastadores compulsivos. Ao contrário, salvo um exagero aqui, outro acolá, o Legislativo de Toledo é um exemplo em termos de economicidade, embora de vez em quando sempre haja movimentos tentando rumar no sentido contrário. Até agora a pressão não tem surtido o efeito desejado e a Câmara segue sendo uma das mais baratas do Brasil na proporção de gasto entre o permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e o aplicado na prática.

O bom senso parece ter prevalecido dessa vez e é preciso reconhecer este esforço de uma parcela de vereadores, como mostra reportagem nesta edição, o que devolve um pouco de esperança na classe política e nesta legislatura tão criticada por suas próprias ações.