Editorial
Dependência cibernética

Os problemas que afetaram WhatsApp, Facebook e Instagram nesta quarta-feira pode não ter irritado algumas pessoas. Certamente bem poucas, porque a maioria ‘surtou’ quando descobriu não estarem as três ferramentas funcionando como deveriam. Houve até quem tivesse ataque de nervos – literalmente – indo parar no médico com crise nervosa diante da abstinência por algumas horas da nova droga lícita espalhada mundo afora. A dependência cibernética chegou ao extremo no dia de ontem em função desta falha que pode até ter sido pontual, mas que serviu para abrir um debate sobre essa dependência.

Hoje há famílias que conversam mais por estas ferramentas que cara a cara. Há pais que acompanham o desenvolvimento dos filhos apenas através de aplicativos, como o recente lançado pelo Governo do Estado do Paraná para monitorar os estudantes da rede pública. Não que os avanços tecnológicos não devam acontecer. É evidente que a humanidade pode e precisa avançar, entretanto, é preciso encontrar um equilíbrio porque o que se viu ontem foi uma reação extrema comparada à abstinência por drogas pesadas como crack ou cocaína.

Não vamos aqui entrar na discussão técnica sobre os efeitos da internet no cérebro, até porque este é um papel que cabe à sociedade médica. Mas é preciso fazer algo diferente para a sociedade depender menos de ferramentas tecnológicas para desfrutar de uma coisa tão simples como é a felicidade. Quando se chega ao cúmulo de dizer que se tal aplicativo não voltar a funcionar dentro de algumas horas a pessoa vai se matar é porque o fundo do poço está muito próximo.

A dependência cibernética não está apenas nas relações de trabalho, mas pelo visto ontem – e numa observação bastante superficial em Toledo – ultrapassou os limites do tolerável a ponto de pessoas dentro de uma mesma sala evitarem o contato pessoal por estarem ‘conversando’ através de mensagens ou arquivos que ontem não puderam ser compartilhados por horas a fio, trazendo dificuldades, claro, mas também oportunidades de se pensar diferente, de se agir diferente. E agir sem a necessidade de um celular ou computador.