Editorial
É preciso reduzir

A proposta de reforma administrativa que, entre outras coisas, pretende acabar com municípios abaixo de cinco mil habitantes sem condições de sustentação econômica, pode parecer um exagero, entretanto, é um mal necessário a fim de mudar uma cultura que em nada contribui para o desenvolvimento do Brasil. Ao contrário, o atual sistema administrativo – e político – é uma trava e um ambiente propício para os acordos suspeitos, os conchavos políticos, os desvios de verbas públicas tão comuns, assim como também os atrasos na liberação de projetos e obras.

É preciso o brasileiro compreender ser necessário reduzir o tamanho do paquidérmico estado brasileiro em todas suas instâncias. Para isso acontecer outras medidas como essa precisarão ser aprovadas porque é impossível manter o atual quadro administrativo com todas as benesses existentes. E é importante frisar: isso em todos os níveis dos poderes constituídos.

Não basta mais mexer apenas no bolso do cidadão comum, até porque este, além de já ter contribuído o suficiente para a manutenção de um estado que devolve muito pouco – e com má qualidade – àquilo que lhe é tomado, não suporta mais o peso de taxas e impostos abusivos. É preciso cortar gastos na administração pública, adotar processos mais modernos, que não apenas tornem mais ágil a vida de quem depende dos serviços públicos, mas que também façam cair a taxa de juros, a carga tributária e a tal ‘igualdade social’ deixe de ser apenas um discurso ou bandeira de campanha para se tornar uma realidade capaz de efetivamente transformar de verdade a vida das pessoas.

Talvez extinguir municípios seja uma medida drástica demais, entretanto, é preciso que os gestores públicos tenham a coragem – e a decência – de deixarem de lado as decisões politiqueiras e passarem a agir com a responsabilidade que o atual momento exige, ou seja, com responsabilidade e austeridade, combatendo as mazelas que arrastaram o país a esta situação descabida de uma das maiores economias do mundo ficar dependendo de migalhas.