Editorial
Mudança de cultura

Na semana passada a secretária de Saúde de Toledo Denise Liell precisou dar explicações sobre a situação da Unidade Básica de Saúde do Jardim Bressan, onde apareceram alguns animais peçonhentos, bem como sobre a falta de profissionais. A explicação é que a unidade foi construída muito próxima de uma região de manancial e a falta de profissionais, bom, fruto ainda da herança deixada pela gestão passada e o estouro do limite prudencial da folha de pagamento, finalmente controlado, o que permitiu a realização de um novo concurso público para a reposição de profissionais não apenas na saúde, mas em praticamente todos os setores da Prefeitura de Toledo.

No fundo, no fundo, este – assim como tantos outros problemas que surgem em Toledo – é um problema comum no Brasil quando se trata de administração pública pela necessidade de uma mudança de cultura profunda. Não apenas por parte da população, mas principalmente por parte dos próprios gestores que ainda não compreenderam o quão urgente isso precisa ser feito. Primeiro porque é impossível qualquer gestão conseguir atender de maneira exclusiva todo bairro da cidade. Num ambiente como o de Toledo, por exemplo, onde o crescimento habitacional tem sido muito acima da média nos últimos anos, isso se torna muito nítido.

Da forma como se administra no Brasil, daqui a pouco faltará dinheiro para o mais básico dos básicos, embora isso já esteja acontecendo em muitos municípios e estados. Só não enxerga quem não quer.

Melhor é ter uma estrutura menor, cheia de falhas ao lado de casa ou, ao invés disso, ter microrregionais com uma estrutura maior, com mais profissionais – e de preferência separados por especialidades – onde seja possível prestar um atendimento mais digno? No caso de Toledo, não seria mais coerente ter regionais espalhadas pela cidade pegando o Mini-hospital e a UPA como exemplos e pequenos postos serem desativados para a implantação de estruturas semelhantes às duas citadas, agregando conhecimento e profissionais?

E assim poderia ser também na educação, no esporte e em tantas outras áreas onde isso seja possível acontecer. Os dois Centros da Juventude e os dois Centros da Terceira Idade são bons exemplos de como estruturas maiores podem ser mais úteis à população, desde que bem administrados. Mas para isso é preciso mudar a cultura. E de maneira urgente!