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O Brasil e o uso de agrotóxicos no mundo inteiro

As constantes denúncias sobre o uso excessivo de defensivos agrícolas pelo agronegócio brasileiro, com consequentes riscos para consumidores de alimentos, começam a ser melhor interpretadas e devidamente contestadas pelos governantes e produtores nacionais. 

A última campanha difamatória contra a agropecuária nacional foi desencadeada no final de junho último, por ativistas e organizações teoricamente ambientalistas, com base em informações sobre a liberação de 42 novos agrotóxicos pelo Ministério da Agricultura do País, para a utilização em diversas culturas, em todo o território brasileiro.

Os produtos, vale lembrar, como sempre acontece nessas ocasiões, só foram liberados após estudos e pesquisas de instituições especializadas, levando em consideração a preservação da saúde e bem-estar dos agricultores, trabalhadores, transportadores, comerciantes e consumidores e dos recursos naturais nas áreas cultivadas, como solo e água.

Para serem registrados, os agrotóxicos são avaliados e aprovados pelo Ministério da Agricultura quanto à eficiência agronômica, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto ao impacto para a saúde humana e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto aos efeitos no meio ambiente.

Para demonstrar a falta de fundamento das denúncias, o Ministério da Agricultura citou informações oficiais da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sobre o ranking mundial do uso de agrotóxicos, com levantamentos de volume de produtos utilizados na agropecuária de 245 países, de diversos continentes.  

Conforme o estudo, o Brasil está em 44º lugar na escala de uso dos defensivos agrícolas para a produção de alimentos e matérias-primas industriais, entre mais de 200 nações, o que demonstra a abrangência e credibilidade dos dados relatados.

Conforme o poder público, a aplicação de agrotóxicos nas lavouras do País, em termos de quilos por hectare cultivado, por exemplo, é menor do que em diversos países da Europa, o que demonstra a falta de fundamento das denúncias de muitas organizações ambientalistas.

De acordo com os estudos da FAO, do ano de 2016, a utilização de defensivos atingiu a média de 4,31 kg por hectare cultivado no Brasil, volume de agrotóxicos muito inferior ao utilizado na Holanda, onde atingiu a média de 9,38 kg por hectare; na Bélgica, com 6,89 kg por hectare; na Itália, com 6,66 kg por hectare; em Montenegro, com 6,43 kg por hectare; na Irlanda, com 5,78 kg por hectare; em Portugal, com 5,63 kg por hectare; na Suíça, com 5,07 kg por hectare; e na Eslovênia, com a média de 4,86 kg por hectare plantado.

Quando a utilização de defensivos agrícolas é comparada com o consumo de países da Ásia, o diferencial é ainda maior em favor do Brasil. Na China, por exemplo, são utilizados 13,06 kg de agrotóxicos em média  por hectare plantado; na Coreia do Sul chega a 12,04 kg por hectares e no  o Japão, a 11,41 kg de defensivos por hectare cultivado.

Se o critério de avaliação do consumo de agrotóxicos foi feito em relação ao volume de alimentos produzidos, o Brasil aparece no 58º lugar, com uso de apenas 0,28 kg de defensivo por tonelada de produtos agrícolas oferecidos aos mercados nacional e internacional, apesar do clima menos rigoroso, onde o frio intenso elimina naturalmente muitas pragas.

*O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado. E-mail: [email protected]