Editorial
O discurso de Bolsonaro

A semana termina ainda repercutindo o discurso de Jair Bolsonaro na abertura do encontro da cúpula da ONU. Para os críticos o presidente brasileiro foi muito rude nas palavras. Pode até ter sido e, embora ele venha perseguindo a imprensa com frequência, ainda assim é preciso reconhecer que Bolsonaro disse aquilo que tinha de ser dito. Defendeu a questão da soberania nacional sem ufanismo, mandou um – duro – recado a quem ainda sonha com a volta do esquerdismo no Brasil e de suas ideologias ultrapassadas e referendou aquilo que vinha pregando desde sua eleição, ou seja, manterá o combate à corrupção como uma marca de seu governo.

Mesmo não sendo Bolsonaro o estadista dos sonhos, é preciso reconhecer que o presidente brasileiro cumpriu à risca seu papel no encontro nas Nações Unidas, mostrando que o Brasil tem comando sim. Gostem ou não gostem.

E no geral não se pode criticar até agora o governo. Como toda gestão, ainda mais no Brasil, Jair Bolsonaro tem erros e acertos. Mais acertos que erros, afinal, algumas das promessas feitas durante a campanha estão sendo cumpridas e se não estão sendo mais efetivas muito da culpa não pode ser creditada nos ombros do Executivo, pois os nobres integrantes do Congresso Nacional seguem dando exemplo de que por ali nada parece ter mudado.

Até agora o presidente enviou a questão do armamento, promoveu uma Reforma da Previdência dentro do possível, enviou o pacote para endurecer o combate ao crime, a economia vem sendo conduzida sem interferências políticas e em questões mais polêmicas Bolsonaro não tem fugido de enfrentá-las. Além disso, até o momento não se tem notícia de integrantes do governo em esquemas suspeitos e, quem é suspeito, tem sido sumariamente rifado dos respectivos cargos, independente do grau de amizade ou paixões partidárias.

O discurso de Bolsonaro na ONU não difere em nada daquilo que os brasileiros têm acompanhado diariamente. A diferença foi que lá, ao invés daqui, o presidente proferiu as palavras num tom mais sóbrio. Mas sem perder a dureza, algo que é preciso se acostumar porque se tem algo que o capitão parece não querer é mudar sua forma de pensar e agir.