Editorial
Os problemas virtuais

Nos últimos meses o Brasil inteiro tem convivido com notícias envolvendo o vazamento de conversas do ministro Sérgio Moro (Justiça) com o promotor Deltan Dallagnol através da intervenção de hackers, ou piratas virtuais que invadem computadores, telefones, tablets e sistemas muitas vezes apenas por diversão, mas em determinados casos para chantagear, roubar dados e cometer outros crimes. Outras autoridades políticas brasileiras foram alvo também deste tipo de ação, assim como artistas consagrados, sendo talvez o caso mais conhecido da atriz Caroline Dickemann, que empresta seu nome a uma lei específica sobre crimes cibernéticos após o vazamento de fotos e vídeos íntimos seus.
Esta semana o JORNAL DO OESTE trouxe reportagem também sobre a questão da internet e da dependência que os adultos estão tendo, inclusive com crises de abstinência nos mesmos moldes de viciados em drogas. O alerta é importante não apenas pela questão física ou emocional, mas também pelo cuidado que todas as pessoas precisam ter sobre seus equipamentos eletrônicos com acesso à internet, bem como e-mails ou senhas. Quanto mais tempo se passa acessando todo e qualquer tipo de conteúdo ou compartilhando dados pessoais em redes sociais, maior é também o acesso destes piratas dos tempos modernos, ladrões não apenas de senhas ou dados, mas de vidas até.
Não se trata de exagero, mas sim de uma constatação cada vez mais latente nos lares e empresas. Há casos de famílias criando grupos de conversas em aplicativos. Empresas onde pessoas que trabalham lado a lado se comunicam através de chats ou redes internas, como se não existisse mais ninguém ao seu redor. Este ‘isolamento’ cibernético é que muitas vezes provoca o distanciamento do mundo real, onde nem tudo é tão maravilhoso como aparenta nas telinhas ou nos aplicativos que simulam mundos que são imaginários. Nada mais.
Os problemas virtuais não estão apenas no vazamento de conversas ou de dados, mas no próprio relacionamento humano que a cada dia parece sucumbir ao avanço poderoso mundo virtual. Importante, sem dúvida, mas não essencial quando se pensa em viver com mais qualidade.