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Os riscos do lixo eletrônico para a população e o meio ambiente

Como ensina a sabedoria popular, tudo tem seu preço, inclusive no avanço da tecnologia. No caso da informação, após a substituição do papel por itens modernos, como smartphones, tablets, livros digitais, televisores ou computadores, que certamente trouxeram facilidades aos usuários, resta  saber o que fazer com o lixo eletrônico, cada vez mais volumoso.

Conforme relatório de órgão especializado em tecnologia da Organização das Nações Unidas (ONU), o processo de reciclagem dos equipamentos eletrônicos dispensados, ainda incipiente, gera cada vez maiores preocupações para ambientalistas e a sociedade.

Seguindo o levantamento, nada menos do que 80% do lixo eletrônico produzido em todo o planeta ou 35,8 milhões de toneladas anuais, não estão sendo reciclados ou destinados corretamente.

Conforme o estudo, 45 milhões de toneladas de produto eletrônicos foram jogados no lixo em 2016 e apenas 20% desse montante ou 8,9 milhões de toneladas, foram reciclados de forma apropriada.

Na avaliação de especialistas, reciclagem ou destinação correta do lixo eletrônico é fundamental para a preservação dos recursos naturais, pois expor o ecossistema a metais e compostos perigosos, representa grande risco para toda a população.

A mudança desse quadro, no entanto, não é tarefa fácil, porque produção e reciclagem de lixo eletrônico variam muito entre as diferentes regiões do planeta.

Na América, por exemplo, os Estados Unidos lideram a geração do material, atingindo 6,3 milhões de toneladas anuais, dos quais menos de 25% são reciclados como deveriam.

Em segundo lugar está o Brasil com 1,5 milhão de toneladas, seguido do México, com um milhão de toneladas.

Além disso, o relatório revela que muitos países da América Latina não contam sequer com legislação adequada para orientar e incentivar sistemas de reciclagem de lixo eletrônico.

Como a aquisição e uso de equipamentos eletrônicos é cada vez maior entre toda a população, a situação tende a piorar, pois na atualidade já há crescimento de 4% na produção do material no planeta.

Para ilustrar esse avanço da tecnologia, o estudo ressalta que há 10 anos apenas 20% da população estava online. Hoje, somente no Brasil, mais de 44% dos habitantes maiores de 10 anos ou 116 milhões de pessoas, utilizam a internet diariamente.

No mundo, quase metade da população já tem conexão digital, o que destaca o perigo de cada vez mais pessoas utilizarem dispositivos eletrônicos, enquanto os esforços para reciclagem do material estão parados, elevando os riscos de contaminação dos recursos naturais por metais pesados.

Menos grave é o caso dos telefones celulares ou smartphones, cujos aparelhos são utilizados no máximo por dois anos, jogando fora o antigo e adquirindo um novo. Ocorre que muitos modelos estão cada vez mais compactos, o que significa redução na mesma proporção da produção de lixo eletrônico.

Outro detalhe interessante dos celulares é que dos 45 milhões de toneladas de lixo eletrônico produzidos pela sua utilização, um milhão de toneladas é somente de carregadores, o que agrava o problema da destinação correta desse tipo de material.

Diante disso, a ONU está propondo a padronização de conexões e acessórios de carregamento dos aparelhos, evitando o crescimento desordenado da produção de lixo eletrônico e de seus riscos para o meio ambiente e a qualidade de vida da população.

*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: [email protected]