Editorial
Os tempos mudaram

Esta semana representantes de algumas classes de servidores públicos estaduais no Paraná não aceitaram a proposta de reposição de 5,09% apresentada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior. A alegação é que há tempos existe uma defasagem nos salários dos servidores que, em geral, recebem acima da média da maioria dos trabalhadores paranaenses da iniciativa privada para o exercício das mesmas funções. Apenas para citar o exemplo de uma categoria, nós, jornalistas, há pelo menos quatro, cinco anos recebemos nada além da reposição salarial e, em alguns casos, de maneira escalonada diante das dificuldades das empresas do setor, muitas delas fechadas por falência, reduzidas praticamente a pó com redações cada dia menores, outras em processo de recuperação judicial e outras ainda relegadas a segundo plano por entidades importantes da sociedade que querem aparecer, desde que seja de graça. Não se trata de uma reclamação, mas de uma constatação no Paraná real e não no mundo da fantasia que alguns setores insistem em viver.

Os tempos mudaram e as tetas gordas não mais suportam a pressão. Estão a ponto de estourar se não houver o estancamento urgente. Também não se trata de uma defesa do governador Ratinho Junior, aliás, muito aquém daquilo que foi prometido durante a campanha, talvez porque seja mais fácil prometer e criticar quando se está do lado de fora da trincheira, apenas disparando sem a menor necessidade de defesa. Quando se muda para o lado interno é que se observam mais de perto os reais problemas, agravados com dirigentes públicos mais preocupados em manter benefícios a fazer a dose de sacrifício que tantos outros fazem há tempos.

Em declaração para a imprensa, o governador Ratinho Junior afirmou que o governo chegou no limite do possível e reforçou que a proposição atende a um compromisso de gestão de programar a reposição salarial do funcionalismo, manter o diálogo com as classes e atinge um limite possível diante das dificuldades financeiras do Estado e do País. E isso que o Paraná ainda é um dos poucos estados onde ainda foi possível apresentar uma proposta de reposição e onde os salários estão em dia. Há unidades como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, apenas para restringir os exemplos, onde a situação é caótica há muito mais tempo e onde salários do funcionalismo estão sendo pagos a conta-gotas. Mas nem isso parece sensibilizar uma parcela de uma classe que não acordou para uma nova realidade.