Editorial
Para os endividados

Em tempos difíceis, economicamente instável, noticiamos com frequência a saúde financeira da União, de estados e municípios, inflação, desemprego, descompasso entre arrecadação e custos para manter a máquina estatal em funcionamento. Noticiamos também as possíveis medidas para frear a crise, retomar o crescimento e sanar os problemas acumulados.

São questões que influenciam diretamente na vida da população. Há muitas pessoas com o nome “sujo” na praça, consequência de todo esse cenário que, frequentemente, noticiamos. As famílias brasileiras, muitas vezes, encontram-se em uma situação difícil em que têm que optar por deixar alguma conta para trás. Há ainda aquelas pessoas que não resistem ao consumismo, que todo o mês compram algo e quando percebem já estão negativadas.

Tanto uma situação quanto a outra acabam virando uma avalanche e sair dela não parece nada fácil. O endividamento consome as pessoas. Inegavelmente, para reverter a situação das famílias brasileiras, assim como as contas de municípios, estados e União, há medidas que se fazem necessárias e urgentes para que haja a recuperação e o progresso econômicos.

Para uma parcela da população, os meios educacionais poderiam ser benéficos a fim de que aprendam poupar. Óbvio que a outra parcela se encontra em endividamento por carência e não por falta de educação financeira, pois a realidade atual está distante do poder pensar em poupar.

Porém, de imediato, há um esforço das instituições de crédito para facilitar aos inadimplentes a renegociação das dívidas. Isso é, extremamente, benéfico, porque uma expressiva parte dos devedores deve porque ficou desempregada. Os demais também precisam voltar a ter o nome limpo na praça.

Afinal, é importante para a economia que os consumidores possam voltar a consumir com tranquilidade. Uma iniciativa que tem início hoje e seguem até 30 de setembro é o mutirão online de negociação de dívidas, promovido pelo Procon-PR, em conjunto com a Associação Brasileira de Procons (Proconsbrasil) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Participam da ação mais de 90 bancos e instituições financeiras. Essa é a chance dos inadimplentes poderem voltar a respirar aliviados. Mas, na verdade, é apenas parte da solução do problema, pois, mais do que nunca, é necessário que a economia volte a crescer, caso contrário, continuaremos noticiando que as instituições estão oferecendo facilidade para renegociação de dívidas. E, por mais significativa que sejam essas ações, o que desejamos é que as pessoas voltem a ter emprego, poder de compra e, claro, sejam educadas financeiramente.