Editorial
Política cultural e esportiva

No fim de semana o JORNAL DO OESTE mostrou o início de uma discussão em torno da possível abertura de uma fundação cultural em Toledo, nos mesmos moldes de outros municípios que já atuam dessa forma, como Campo Mourão, Maringá, Londrina e Curitiba, apenas para citar alguns – bons – exemplos do que é possível fazer quando público e privado caminham de mãos dadas e não puxando cada um para um lado. Além disso, a possibilidade de uma fundação cultural, de certa forma, reduz a chance de bons projetos serem esquecidos ou abandonados numa eventual troca de gestão, algo típico na gestão cultural país afora e que se repete bastante na área esportiva. O que parece ser ótimo para um gestor, de uma hora para outra passa a ser visto como o pior dos investimentos.

Na prática o Brasil carece – e muito – de políticas públicas de governo e não de políticas de governantes e o que se busca fazer em Toledo é justamente implantar a cultura – na cultura – de se estabelecer políticas públicas constantes, capazes de mudar não apenas a forma de fazer, mas principalmente de se pensar a cultura. O mesmo vale para o esporte, pois são duas áreas que caminham muito próximas e sofrem dos mesmos problemas, especialmente em épocas como essa de crise econômica, onde cortes substanciais atingem a rotina de treinamentos, de ensaios e, claro, de apresentações e jogos.

Essa incerteza atrapalha ainda o planejamento para os próximos objetivos, a próxima temporada, pois não se sabe com quanto se poderá contar ou se um projeto ou programa seguirá existindo.

A criação de uma fundação cultural, evidente, não vai acabar com todos os problemas do setor, ainda mais em se tratando de Brasil. Porém, servirá para estabelecer critérios mais definidos e com menos ingerência política nas decisões técnicas, abrindo o leque para a busca de apoios onde quer que estes estejam. É uma nova perspectiva que poderá ser implantada, mas, é importante frisar que seu êxito dependerá muito do envolvimento dos agentes do setor, algo que ficou muito claro na reunião da semana passada, quando o número de pessoas foi positivo e deixou no ar uma boa impressão de seguir adiante.