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PUCPR: 60 anos fazendo a diferença no Paraná

Há 60 anos, nascia das águas de março a Universidade Católica do Paraná (UCP), promessa de um marco na educação do Paraná. Hoje, após seis décadas, um marco na educação do Brasil. Em 1959, portanto, era dado o primeiro passo de uma instituição, cuja perenidade e progresso eram promessas asseguradas por lideranças que, à época, fizeram dessa obra a missão da sua vida. Tenho certeza que, se conosco ainda estivessem, certamente diriam: “missão cumprida”.

Fruto da visão de dom Manuel da Silveira D’Elboux, então arcebispo metropolitano de Curitiba, homem que deixou importantes marcas da sua passagem por Curitiba (1950-1970), em especial na área da educação, a Pontíficia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) certamente foi sua grande obra que legou para a posteridade. Infelizmente, apesar da cooperação que se verificou na demanda do arcebispo, a natureza das instituições católicas já existentes em Curitiba não preenchia as condições legais para a constituição de uma universidade: Faculdade de Filosofia, condição obrigatória, com pelo menos 12 cursos, e duas no mínimo a serem definidas entre Direito, Medicina e Engenharia. Ao lado da Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras, que já existia desde 1950, fundada e dirigida pelos Irmãos Maristas, dom Manuel optou pela criação dos cursos de medicina e direito. O desafio não era fácil.

Em 22 de dezembro de 1973 a congregação marista assume a administração e direção da universidade como sua única mantenedora. Em 6 de agosto de 1985, na gestão do professor Oswaldo Arns, primeiro reitor da UCP na sua nova configuração, a universidade recebeu o título de Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

PASSADO E PRESENTE - Em 1998 assume a reitoria o professor doutor Clemente Ivo Juliatto, primeiro Irmão Marista a dirigir a universidade. Nos seus 16 anos de gestão, ele investe tanto na continuidade da infraestrutura física e acadêmica. A universidade passa de um percentual de menos de 4% de doutores  para 33%, o que coloca a PUCPR na trilha da pesquisa e da pós-graduação stricto sensu, além de a destacar em rankings nacionais e internacionais em termos de ensino, ciência e tecnologia.

Ao citarmos os reitores, é preciso reconhecer todos que nos antecederam nesses 60 anos de história – irmãos, professores, gestores e demais colaboradores - que souberam vencer com serenidade e competência os percalços que os desafiaram, que deixaram a sua marca neste período. É momento também de citar todos aqueles que hoje são o presente, que hoje levam adiante a caminhada aberta pelos que passaram, enfrentando os desafios dos tempos atuais.

FUTURO - Para colocarmos a universidade alinhada às exigências dos dias atuais e futuros, é fundamental reconhecer as grandes mudanças de caráter tecnológico. Vejamos a realidade a seguir: com a tecnologia em rápida evolução, tudo o que a pessoa quiser saber, conhecer ou aprender está disponível. Essa realidade nos obriga a ressignificar a função da universidade: em vez de somente transmitir conhecimento, caberá a ela ensinar a raciocinar, a dominar esse conhecimento, a sistematizá-lo e colocá-lo em uso na prática. Ou seja; a mera transmissão do conteúdo deixou de ter razão de ser. Eis o grande desafio da universidade. Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

E a universidade, responsável pela formação dos profissionais para esse novo mundo, como fica? Exatamente esta foi a pergunta que a PUCPR se colocou há mais de 4 anos. Duas grandes mudanças foram então adotadas. Em primeiro lugar mudou-se a sistemática de aprendizagem, mediante a adoção das metodologias ativas  no processo de aprendizagem. A outra mudança ainda em implantação, mais disruptiva que a primeira, foi a formação por competências, que busca tornar os estudantes da PUCPR aptos a serem aprendizes autônomos por toda a vida, pela mobilização de saberes de forma integrada para poder resolver problemas que hoje ainda não são conhecidos.

Internacionalização, inovação, interdisciplinaridade, empreendedorismo, novos paradigmas de formação, onde o aluno vai construindo sua formação de maneira personalizada conforme a sua capacidade e vocação. Somente assim teremos condições de adequar a nossa caminhada às exigências atuais, com um processo de aprendizagem moderno, visando uma formação integral, onde a formação profissional caminha pari passu com uma formação cidadã, buscando alinhar a universidade às demandas e desafios do século 21, quebrando, se necessário, paradigmas superados. Eis os desafios para os próximos 60 anos.

*Waldemiro Gremski é reitor da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)