Editorial
Radares do bem

Conforme reportagem publicada pelo JORNAL DO OESTE, somente este ano foram registrados 51 acidentes no trecho da BR-467 entre Toledo e Cascavel, com 58 pessoas feridas e três óbitos, mais que o total registrado em todo o ano passado. O número até pode ser considerado baixo, entretanto, só não é maior porque o trecho é inteiro duplicado, o que contribui para a redução natural do número de acidentes e de mortes. Porém, chama a atenção que do total de acidentes, quase metade está relacionado ao excesso de velocidade. Não é raro a Polícia Rodoviária Federal – responsável pela fiscalização na rodovia – divulgar fotos com veículos flagrados muito acima dos 110km/h permitidos na via. Há casos de motos a quase 200km/h, carros rodando em velocidade muito semelhante que, convenhamos, por mais segurança e habilidade que possa ter o piloto ou motorista, uma batida a esta velocidade é crônica de uma tragédia anunciada.

Muito desse abuso pode estar relacionado à retirada dos radares fixos no distrito cascavelense de Sede Alvorada, embora ali não seja o ponto de maior risco de acidentes por excesso de velocidade. Daí a proposta de serem instalados quatro radares fixos e o aumento da fiscalização através dos radares móveis, decisão mais que acertada por parte da Polícia Rodoviária, afinal, quem trafega acima da velocidade máxima permitida está assumindo um risco, seja de causar um acidente, seja de ser punido por seu delito.

O radar não é o carrasco da história, até porque ele está lá, fixo, desempenhando as funções para as quais foi programado. Seu objetivo não é punir ninguém, mas sim evitar acidentes e permitir em muitos casos o fluxo mais consciente dos veículo em ponto de tráfego intenso, como é o caso da 467 e que levou à sua duplicação entre Toledo e Cascavel. Quem se lembra de como era certamente não sente a menor saudade e a colocação de um ou mais radares não será motivo de reclamação, até porque é possível viajar entre as duas cidades numa velocidade razoável e com deslocamento fácil e seguro. Os radares são equipamentos do bem quando se é consciente de seu papel enquanto motorista na sociedade. Caso contrário...