Itaipu lança projeto para construção de 254 casas populares, com investimento de R$ 76 milhões

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A Itaipu Binacional, em parceria com a Prefeitura de Foz do Iguaçu, o Instituto de Habitação (Fozhabita) e a Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Brasil (PTI-BR), lançou na terça-feira (21) o Projeto Moradias, com investimento inicial de R$ 76,3 milhões para a construção de 254 casas populares. Desse total, R$ 61 milhões serão empregados pela Itaipu. As primeiras unidades deverão ser entregues até julho de 2024.

A iniciativa faz parte das ações do programa Itaipu Mais que Energia e vai beneficiar famílias em situação de vulnerabilidade social, que hoje vivem em uma área de risco na Vila Brás, junto ao Rio Poty, nascente do Rio Boicy. O local é classificado como Área de Preservação Permanente (APP) e está ocupado há mais de 30 anos. A maior parte é formada por pessoas que vivem da coleta de recicláveis.

As novas casas vão ser construídas em áreas que totalizam 30 mil metros quadrados, próxima à Vila Brás. Os terrenos são contrapartida do Município – parte dessa área foi doada pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) à Prefeitura de Foz do Iguaçu.

O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, explicou os recursos empregados no projeto serão levantados em leilões de casas da Vila A, conforme decisão da atual diretoria aprovada pelo Conselho de Administração. Neste ano, em apenas dois leilões (em agosto e setembro), foram arrecadados R$ 20,7 milhões com a venda de 45 imóveis. A expectativa da empresa é levantar até R$ 125 milhões e todo o recurso será aplicado em habitações de interesse social.

“Foz do Iguaçu tem uma característica diferente de outras cidades. Por ser uma região de tríplice fronteira, e por conta da existência da própria barragem e das pessoas que ficaram aqui depois das obras terminadas, muitos hoje não têm onde morar, estão em ocupações e até morando em palafitas. Portanto, a ideia é atender em especial Foz do Iguaçu, que tem essas características e contradições sociais importantes”, afirmou o diretor.

Na cerimônia, o prefeito de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro, ficou emocionado ao lembrar o dia em que o projeto foi apresentado a ele pelos diretores da Itaipu. “Essa é uma parceria que representa cidadania, representa moradia digna, representa tirar famílias de área de risco, representa tirar famílias de áreas insalubres e colocá-las num local digno e na sua própria moradia. Ou seja, é dar uma propriedade para um cidadão que sempre carregou nas costas o peso de ser desamparado. Então, acho que esse convênio tem um significado histórico para a Foz do Iguaçu”, declarou.

O diretor administrativo da Binacional, Iggor Gomes da Rocha, informou que os imóveis terão o padrão do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. “A grande diferença é no método construtivo. Não vão ser casas da tradicional alvenaria, são casas que utilizam um método de sustentabilidade, um método construtivo com menos resíduo, mais ágil de construção, até porque é uma situação emergencial”, destacou.

Segundo ele, será aplicada uma tecnologia chamada Wood frame, com uso de madeira de reflorestamento certificada. O sistema atende às diretrizes do Governo Federal sobre descarbonização e sustentabilidade aplicada à construção civil, reduzindo o tempo de obra e a produção de resíduos.

Também está em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS 11), das Nações Unidas, que tem como missão “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”.

O diretor-superintendente do Fozhabita, Ian Vargas, disse que o setor atuou no cadastro e atendimento social das famílias beneficiadas, na identificação de áreas para receber o empreendimento e fará o acompanhamento da execução do projeto, incluindo o processo de reassentamento.

Vargas acrescentou que, após a transferência das famílias para as novas casas, o município irá promover a recuperação ambiental do Córrego Poty, contribuindo para a preservação do espaço, evitando o assoreamento dos rios da região e elevando a proteção do reservatório da usina. Uma das ideias é transformar o local em um parque público.

“Isso é um sonho, um sonho da casa própria, um sonho de você ter um lar”, definiu a morada Maria Alzemide da Silva, uma das beneficiadas pelo programa. “Você não imagina o que é receber a chave da tua casa e não precisar mais levantar de madrugada porque está pisando na água da chuva. Espero que não demore muito para a gente realizar esse sonho.”

“Creio que quanto antes essas casas estarão prontas. E daí será vida nova, casa nova, tudo novo”, completou a moradora Adriana Treles Teodoro, da Vila Brás.

A construção de casas populares se soma a uma série de obras financiadas pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu e região, que totalizam R$ 1,1 bilhão. Entre essas obras, estão a nova ponte internacional sobre o Rio Paraná, a duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469), a iluminação de trechos urbanos da BR-277, investimentos em escolas, delegacias, hospitais e centros esportivos, entre outros.

FOZ DO IGUAÇU

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