Oeste lança campanha por menor preço; 100 entidades assinam carta a Bolsonaro

Materiais produzidos para impressos, outdoors e mídias sociais vão ampliar ações do Oeste do Paraná contra o modelo de pedágio com outorga onerosa. A campanha foi lançada na manhã desta quarta-feira, durante coletiva à imprensa, no Auditório Cascavel, na Acic. Os argumentos que levaram a região a se unir contra a proposta do Governo Federal foram apresentados pelo presidente do POD, o Programa Oeste em Desenvolvimento, Rainer Zielasko.

Rainer informou que a região precisa se unir e cobrar mudanças na proposta, porque do contrário o Oeste seguirá pagando um dos pedágios mais caros do mundo. “Há 23 anos amargamos uma tarifa que castiga o setor produtivo regional e paranaense. Não podemos permitir, como querem, que sigamos com esse cenário por mais 30 anos. Nosso interesse não é por benefícios, queremos apenas isonomia, ser tratados como outros estados que têm tarifas muito mais baixas que as nossas”, ressaltou o presidente do POD, que integra mais de 60 entidades da região, entre elas cooperativas e instituições de ensino.

A outorga onerosa faz com que enormes quantidades de dinheiro sejam enviadas ao governo sem, em contrapartida, garantias na execução de obras. “Já vimos isso acontecer na concessão de 1997 no Paraná, e até hoje isso custa muito caro principalmente às empresas e produtores rurais da nossa região”, lamenta Rainer Zielasko. Sem a outorga, a redução nos preços das tarifas, com as novas concessões, poderá chegar a 70%, valor então considerado justo e equilibrado. “Ninguém aqui é contra o pedágio e sim a um modelo que não nos atende, porque poderá comprometer a economia e o desenvolvimento da região”, diz o presidente do Codesc, conselho que representa 60 entidades de Cascavel, Alci Rotta Júnior.

Dois números aumentam os questionamentos e a insatisfação em torno do modelo apresentado pelo governo federal: em 23 anos do atual modelo, mesmo com as irregularidades apuradas pela Justiça, a arrecadação global chegará a R$ 70 bilhões. Com a nova concessão de 30 anos, que afirmam que terá valores inferiores aos atuais, a estimativa de receita no período é de mais de R$ 150 bilhões. “A região não pode e não vai se calar, porque corremos o risco de ficar ilhados por praças com pedágios elevados desestimulando assim, por exemplo, a atração de novos investimentos”, alerta o presidente da Acic, Michel Lopes. “Precisamos estar unidos, atentos e defender nossos interesses”, complementa o presidente da Caciopar, Flávio Furlan.

PEÇAS E CARTA – Inúmeras peças para outdoors, impressos e mídias sociais foram produzidas e passam a ser divulgadas em toda a região. Elas pedem por um modelo sem outorga e apelam para a sensibilidade do presidente da República, Jair Bolsonaro. Uma carta, pedindo a intervenção do presidente na questão do modelo do pedágio, assinada por mais de cem entidades, vai ser entregue a ele nesta quinta-feira, durante visita que fará a Cascavel para inaugurar um centro esportivo de alto rendimento.

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