Paraná terá primeira usina híbrida de biogás e fotovoltaica

Uma transformação ambiental, social e econômica permitirá mais desenvolvimento para a região Oeste do Paraná. O município de Ouro Verde do Oeste será protagonista dessa transformação com a instalação da EnerDinBo, proprietária da primeira usina híbrida de Biogás e Energia Fotovoltaica em grande escala do país. A proposta é transformar problema em solução, danos em benefícios e preocupações em evolução.

A solenidade da inauguração aconteceu na tarde de quinta-feira (29). Na ocasião, o governador do Paraná Carlos Massa Ratinho Junior enfatizou a importância da produção alimentícia e sustentável do Estado.

“Ninguém produz uma comida tão sustentável como no Brasil e, em especial, no Paraná que é um Estado que cuida das suas bacia hidrográficas, da reserva legal e da mata ciliar. E agora, a EnerDinBo é uma inovação que vem fechar uma cadeia produtiva importante transformando essa economia circular e sustentável, fazendo com que não haja nenhum dejeto da suinocultura e entregando para a natureza algo limpo e organizado. Esse é o selo de garantia da sustentabilidade da agricultura paranaense”.

 

Processo de transformação

A primeira usina híbrida de Biogás e Energia fotovoltaica funciona em uma área de 48 mil metros quadrados, com três biodigestores e três lagoas aeróbicas (com a presença de oxigênio), que é onde ocorre a digestão da matéria orgânica antes de entrar no processo de combustão. Depois de degradada ela é transformada em dois produtos: biofertilizantes usados nas pastagens, depois de passar por um novo processo aeróbico, e o biogás propriamente dito, que é transformado em energia elétrica. A usina coleta os materiais sem custo nas propriedades e faz a separação da fração líquida e da fração sólida. Depois, os resíduos são transferidos para os biodigestores, onde o material passa por quatro fases até chegar ao biogás com 65% a 70% de metano, 25% a 30% de gás carbônico e demais gases como oxigênio e nitrogênio. Para a produção de energia, ocorre a conversão da energia química do gás em energia mecânica, que ativa um gerador que produz energia elétrica.

Ratinho Junior salienta que a ideia é replicar a usina híbrida em outras regiões do Estado e também servir de exemplo para o restante do país. “Estamos vivendo uma inovação importante para toda a nossa cadeia produtiva que além disso, aquilo que sobra e que poderia ser despejado na natureza, volta para o agricultor como uma atuação de adubo orgânico que aumenta a produtividade nas propriedades rurais da região”, cita.

Para o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, o Paraná trabalha para recuperar o tempo perdido no que se refere à geração de energia a partir da produção do campo. “Temos sido pouco racionais no aproveitamento da biomassa que a agricultura gera todos os dias, e que é fonte de energia em forma de gás. Além disso, o digestato resultante deste aproveitamento é um excelente adubo orgânico”, cita.

                                                                                                       

PRODUÇÃO – O empreendimento da EnerDinBo de um lado garante a destinação correta de dejetos suínos e, de outro, possibilita a distribuição de energia para os suinocultores cooperados à empresa. A usina está operando há dez meses e começou a distribuir energia para a rede elétrica há 20 dias. O investimento foi de R$ 12 milhões, somando estrutura e equipamentos.

A unidade de biogás tem capacidade para processar 700 toneladas de dejetos de suínos por dia. Já a fotovoltaica, em processo de instalação, terá até janeiro capacidade instalada de 500 quilowatts/hora. O sistema integra 40 suinocultores. A energia gerada será usada para compensar o consumo energético nas granjas das empresas do grupo.

Durante a inauguração, a EnerDinBo assinou acordo de cooperação com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), para cooperação técnica na produção de energia e no desenvolvimento tecnológico.

 

DESENVOLVIMENTO – O deputado estadual Gugu Bueno participou da inauguração representando a Assembleia Legislativa do Paraná. Ele enfatiza que o Estado vive constantes mudanças diárias em todas áreas como Saúde, Segurança e Educação. A inauguração da primeira usina híbrida é outro grande passo para o desenvolvimento.

“Fazer um empreendimento é preciso visão empresarial, coragem e confiança, principalmente, no futuro do Estado do Paraná. Confiar que esse Estado é aberto ao diálogo e a oportunidade e, é inovador e será o hub logístico da América Latina. Hoje [ontem] vemos a concretização de tudo aquilo que trabalhamos neste período. Esse é o Paraná que dá certo”, afirma o deputado estadual.

 

TRANFORMAÇÕES – De acordo com o prefeito de Ouro Verde do Oeste Aldacir Pavan, a EnerDinBo foi uma ótima conquista para o município que tinha um problema sério de passivo ambiental para ser resolvido. “São mais de 700 mil litros de dejetos de suínos que serão coletados e transformados em energia elétrica”.

Pavan ainda destaca o aumento do recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICSM) do município. “Com isso, o gestor poderá investir mais em Saúde, Educação e realizar melhorias na cidade”.

Além disso, o empreendimento, conforme o prefeito de Ouro Verde do Oeste, traz solução ao pequeno agricultor. “A maioria não tinha mais local para descartar os dejetos. “Em função de serem pequenas propriedades, os dejetos contaminavam os lençóis freáticos e os gases contaminavam a camada de ozônio e, por consequência, todo o meio ambiente”, afirma.

Ele salienta que os suinocultores poderão ampliar em 57% a sua produção de suínos, pois os dejetos serão encaminhados para a empresa e não mais descartados em suas propriedades. “O empreendimento é fantástico. Eles tinham o sonho e está sendo realizado. Acredito que mais municípios poderão aderir ao projeto. Esse é o futuro: uma energia limpa e sem contaminação. O futuro inicia em Ouro Verde do Oeste”, finaliza o prefeito Aldacir Pavan.