Pesquisa sobre controle biológico de pragas da erva-mate recebe verba

Pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) sobre o cultivo da erva-mate recebe emenda parlamentar no valor de R$ 52.400,00 para custeio de despesas de material de consumo, viagens, além de uma bolsa de mestrado. A verba disponibilizada pelo deputado estadual Hussein Bakri soma um total de 609 mil reais, e deve atender estudos sobre a erva-mate produzida no Paraná. Os recursos foram anunciados na última semana na Assembleia Geral Ordinária do Conselho Gestor da Erva – Mate do Vale do Iguaçu – (Cogemate).

Segundo o professor Luis Alves, responsável pela pesquisa na Unioeste, a verba recebida tem grande importância para o desenvolvimento dos estudos. “Entramos em uma etapa praticamente toda concentrada em ensaios de campo, sendo necessárias viagens para as áreas representativas de cultivo da erva-mate no estado do Paraná. Além disso, marca o apoio do Estado à pesquisa da erva-mate e contribuirá para a formação de recursos humanos na temática da pesquisa, fortalecendo a pós-graduação na Unioeste”, explica. 

Para o deputado Hussein Bakri (PSD), a emenda para as pesquisas sobre a erva-mate é fundamental para o desenvolvimento da economia do Estado. “No cenário de hoje, em meio à pandemia, mais do que nunca é preciso estimular a geração de emprego e renda. E a cadeia produtiva da erva-mate é um setor importante da economia estadual, envolvendo 300 mil pessoas e tendo movimentado R$ 600 milhões em 2020. O setor vem se expandindo para além da indústria de alimentos e já está na área de medicamentos, beleza, material de limpeza. Essa perspectiva de crescimento com as pesquisas que serão desenvolvidas vai ao encontro do movimento econômico feito pelo Governo do Estado e certamente terá ainda mais resultado com a união entre poder público, iniciativa privada e universidades”, expõe.  

PESQUISA NA UNIOESTE – Os estudos são realizados pela equipe de pesquisa do Laboratório de Biotecnologia Agrícola, em um projeto de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-graduação em Conservação e Manejo de Recursos Naturais (PPRN), no Campus de Cascavel, da Unioeste em parceria com o Instituto Nacional de Tecnología Agropecuária (INTA), e financiados pelo Instituto Nacional da Erva-Mate (INYM) da Argentina. 

Iniciada em 2010, a pesquisa foi interrompida pela ausência de financiamento em meados de 2015, sendo retomada somente em 2018, como expõe o professor Luis. “Já no final de 2019 e início de 2020, os primeiros ensaios em campo foram realizados em plantio comercial de erva-mate, da empresa Erva-mate Laranjeiras, Cascavel, PR. Os resultados foram muito animadores e diante disso, partimos para a busca de apoio financeiro e parcerias para a continuidade da pesquisa. Em 2019, firmamos um convênio com o INTA, da Argentina e a parte do projeto que é realizado lá tem financiamento do INYM. Em 2020, fui integrado ao grupo denominado Cogemate (Conselho Gestor da Erva Mate do Vale do Iguaçu) e passei a discutir com seus participantes a pesquisa desenvolvida e as demandas do setor. E nesse grupo, surgiu a oportunidade de apresentar um projeto, na forma de uma emenda parlamentar, encaminhada para o Deputado estadual Hussein Bakri”, relata. 

Conforme o professor Luis Alves, o projeto busca o controle biológico de pragas da erva-mate, uma vez que o uso de inseticidas químicos sintéticos é proibido no cultivo da planta. “Espera-se, assim que nos próximos 24 meses de duração do projeto, seja possível validar o controle biológico da ampola-da-erva com o fungo Beauveria bassiana com uma tática segura e efetiva para resolver esse grave problema da erva-mate, tanto em viveiros de produção de mudas como nos cultivos comerciais”, finaliza.

Texto: Milena Griz

Supervisão: Patricia Bosso

CASCAVEL