Aderir ao tratamento permite mais qualidade de vida

As reações adversas são alguns dos obstáculos enfrentados. Para cada paciente é receitado um tipo de coquetel. A Aids é uma doença de perfil crônico, mas pode ser tratada. As novidades nos medicamentos indicados para agir contra a ação do vírus têm facilitado a adesão ao tratamento.

A farmácia do CTA/SAE faz a dispensação de medicamentos antirretrovirais. Além disso, também realiza o acompanhamento das gestantes com foco na adesão, com envolvimento multiprofissional para acompanhar cada etapa e medicação necessária em cada uma delas. Cabe a esse departamento fazer a orientação farmacêutica com relação à medicação e efeitos colaterais, interações, momento para tomada da medicação, verificação da adesão do tratamento com o paciente, verificação de falhas nesse processo, identificação de causas da não adesão e reorientação.

A farmacêutica, Rebeca Marques dos Santos Ferreia, também faz a abordagem, acolhimento e orientação para os pacientes em início de tratamento. “Observando os avanços adquiridos sobre o conhecimento da infecção, destacamos a implementação da Terapia Antirretroviral (TARV). Desde que comecei a trabalhar na farmácia do CTA/SAE percebi que muitos casos foram solucionados através da adequação do esquema antirretroviral”.

Segundo Rebeca, essas trocas possibilitaram maior qualidade de vida aos pacientes sendo pela redução de efeitos colaterais, diminuição da quantidade de comprimidos ou de tomadas diárias, ou solucionando agravos de saúde gerados pelo medicamento anterior. Ela destaca que em apenas alguns anos foi possível observar isso e apurar que é o reflexo da evolução do tratamento e da medição ao longo dos anos.

“Os primeiros medicamentos antirretrovirais – ARV – surgiram na década de 1980. O desenvolvimento e a evolução dos antirretrovirais para tratar o HIV transformaram o que antes era uma infecção quase sempre fatal em uma condição crônica controlável, apesar de ainda não haver cura”, relata a farmacêutica.

EVOLUÇÃO DA MEDICAÇÃO – A TARV teve início em 1987, pelo uso da monoterapia com Zidovudina (AZT). Em seguida, entre 1994 a 1996, surge à terapia dupla e a partir de 1996, a terapia antirretroviral altamente ativa adotou a combinação de três ou mais medicamentos, incluindo os inibidores da protease, o que demonstrou potente efeito antiviral, que resultavam em carga viral indetectável. Neste mesmo ano, a Lei 9.313 estabeleceu a distribuição gratuita de medicamentos aos portadores de HIV.

Em 1999 o Governo Federal divulga redução em 50% de mortes e em 80% de infecções oportunistas, em função do uso da TARV. “O acesso universal garantido por lei à terapia ARV associado ao uso de quimioterápicos (em casos de infecções oportunistas) e a oferta de outras assistências tem contribuído, até hoje, para uma redução dos casos de internações hospitalares e também dos números absolutos de óbitos por Aids no Brasil”, salienta Rebeca.

‘3 EM 1’: ÚNICA DOSAGEM DIÁRIA – Em 2013, foi introduzido o ‘3 em 1’, unindo as drogas Lamivudina, Tenofovir e Efavirenz em um único comprimido, o que possibilitou o tratamento com um comprimido em uma única tomada diária. Já no ano de 2017, foi introduzido o Dolutegravir (DTG) como parte do esquema preferencial, o que forneceu uma maior barreira genética ao esquema, com menor risco de resistência viral e também redução de efeitos colaterais em comparação com o Efavirenz, o qual foi substituído pelo DTG no esquema preferencial.

“Atualmente, existem no Brasil 21 medicamentos, em 37 apresentações farmacêuticas. A evolução no tratamento é algo a ser comemorado, e como o sucesso no tratamento depende da adesão ele sempre deve ser observado no acompanhamento do paciente. A resistência na adesão ao tratamento é considerada como um dos mais ameaçadores problemas para a eficácia do tratamento no âmbito individual e um agravo seríssimo para a disseminação de vírus cada vez mais resistentes no âmbito coletivo”, enfatiza a farmacêutica.

ADESÃO AO TRATAMENTO – Conforme Rebeca, recentemente, ficou evidenciado que o tratamento com ARV associado a estratégias de prevenção (aconselhamento e fornecimento de preservativos), reduziu significativamente a transmissão do HIV em 96%. “No CTA contamos com uma equipe multidisciplinar, onde buscamos sempre dar atenção especial ao acolhimento e aconselhamento, principalmente no início do tratamento. O acompanhamento da adesão é fortemente enfatizado, realizado pela farmacêutica e em consulta médica, com auxílio da equipe. É possível observar que essas abordagens, em conjunto com as constantes evoluções da ciência, resultam na melhora contínua de qualidade de vida dos pacientes e na redução da transmissão, fatores que contribuem para a saúde coletiva”, reforça a profissional ao mencionar que cada um precisa fazer sua parte em termos de prevenção.

Da Redação

TOLEDO