Alimentação equilibrada evita exageros durante a pandemia

Com a pandemia da Covid-19, as pessoas passam mais tempo em casa com os alimentos, lanches e petiscos disponíveis a qualquer momento. Mas as guloseimas em excesso podem ser um perigo para quem briga com o ponteiro da balança. Diversos países elaboram pesquisas sobre o impacto do isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19 com a mudança na alimentação.

A nutricionista clínica com aperfeiçoamento em transtornos alimentares, Cristiane Buzanello Donin, comenta que os fatores de risco para ganho de peso durante a pandemia são: sono inadequado, aumento do consumo de fast food, aumento do consumo de doces, inatividade física e o aumento de consumo de alimentos por questões emocionais como stress e ansiedade.

A profissional cita uma pesquisa on-line, realizada na Polônia durante o isolamento social, em 1.097 poloneses adultos que demostrou que quase 30% apresentaram ganho de peso e mais de 18% apresentam perda de peso.

A pesquisa ainda mostrou que os indivíduos com sobrepeso, obesos e mais velhos – com idades entre 36 e 45 e maiores de 45 anos – tenderam a ganhar peso com mais frequência, enquanto aqueles com baixo peso tenderam a perdê-lo ainda mais”.

“Devemos lembrar que pessoas com obesidade podem ter maior risco de diabetes, resistência à insulina e síndrome metabólica e, portanto, um alto risco de morbidade e mortalidade devido as complicações da Covid-19”, afirma.

ANSIEDADE – A ansiedade pode ter uma parcela de contribuição para esses exageros na alimentação. Segundo a nutricionista, ela pode ser um gatilho para a fome emocional e, nesse momento, habitualmente ocorre um aumento no consumo de alimentos processados, doces e fast foods, que são mais acessíveis e saborosos, levando a uma sensação de prazer e relaxamento em momentos específicos. “Saber diferenciar entre a fome física e emocional pode ajudar nesse processo”.

Cristiane explica que a fome física tem como sinais fisiológicos como ronco no estômago, falta de concentração, falta de energia, entre outros. Ela também aparece num processo gradual. A fome física não está relacionada a um alimento específico. “Já a fome emocional não apresenta sinais fisiológicos da fome e aparece rapidamente. A fome emocional está associada a um alimento específico como o brigadeiro ou o chocolate”, acrescenta.

GUIA – E como reverter o quadro quando o ponteiro da balança avança e a pandemia ainda não terminou? A nutricionista cita um Guia para Alimentação Saudável em Tempos de Covid-19 elaborado pela Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).

“O Guia cita que uma alimentação saudável é primordial para manter a saúde e é especialmente importante para manter seu sistema imunológico em ótimas condições. É importante não esquecer das medidas de higiene necessárias para evitar as contaminações e, para isso, se faz necessário a organização das refeições, que incluem os alimentos que temos disponíveis em nossa casa, assim como a higienização e o preparo desses alimentos”, salienta a profissional.

EQUILÍBRIO – E para manter a saúde em dia, é preciso investir em uma alimentação saudável e equilibrada. A nutricionista Cristiane enfatiza que a preocupação deve ser focada na saúde de uma maneira integral. “Fique atendo a maneira que você está comendo e observe quais são os gatilhos que impulsionam a comer mais. Eles podem estar relacionados ao medo, ansiedade, estresse relacionados a essa situação pandêmica”.

A profissional orienta ainda que ao iniciar uma refeição ou durante a refeição é interessante checar através de um diálogo interno com as seguintes perguntas: O que estou comendo? Por que estou comendo? Como estou comendo? Existe algum sentimento envolvido nessa decisão?

O momento da refeição também é importante. “Realize a refeição com atenção e mastigando bem os alimentos, descansando os talheres durante a refeição e fazendo a checagem interna de como está a sua satisfação em relação a essa refeição. Compreender que o nosso novo normal por um tempo ainda será esse, e procurar se adequar a ele da maneira mais saudável possível, incluindo horários de atividade física, regrar o sono e cozinhar alimentos frescos, manter-se menos ansioso ou estressado”, finaliza.

Da redação