Baby Blues: os desafios do pós-parto em tempos de pandemia

Baby Blues ou disforia puerperal é um estado de labilidade (instabilidade emocional) transitório, que acomete cerca de 85% das mulheres no puerpério, aproximadamente do terceiro ao quadragésimo quinto dia após o parto. É preciso atenção da mulher e seus familiares para que seja procurado atendimento especializado se necessário, especialmente, diante de um cenário de pandemia.

De acordo com a psicóloga, Katyana Martins Weyh, não existem estudos de que o período da pandemia tenha intensificado o Baby Blues. Ela explica que como isso é natural, e de certo modo até esperado, que aconteça o Baby blues no pós-parto é comum que aconteça com qualquer mulher, em qualquer período da história. “Porém, os índices de ansiedade aumentaram durante a pandemia, o que pode contribuir com o aumento da intensidade da instabilidade de humor no puerpério”.

Conforme a psicóloga, o Baby Blues é desencadeado pelas mudanças significativas após a gestação e o parto, como por exemplo: oscilação hormonal, amamentação, privação de sono, desordem intestinal, cansaço, entre outros.

“Essas mudanças são tanto de ordem física como psicológica e social. Os principais sintomas são sentimentos ambivalentes, irritabilidade, instabilidade emocional, choro frequente, estresse. É possível visualizar o Baby Blues na rotina do pós-parto quando a mulher não consegue ter tempo para cuidar de si, muda repentinamente de humor, se isola com frequência e está confusa com relação a nova rotina”, pontua.

TRATAMENTOS E CUIDADOS – Baby blues não é considerado um transtorno psiquiátrico e não costuma ultrapassar 45 dias. Neste período, conforme Katyana, é comum e natural que as mulheres passem por esse estado de instabilidade emocional, então o mais indicado é o acolhimento e a escuta sem julgamento que pode ser feita pela rede de apoio que está próxima à mãe e também por profissionais da saúde, especialmente, na área de psicologia.

“O Baby blues é um processo transitório e natural que não deve ser confundido com depressão pós-parto. Sempre que houver dúvidas sobre os sintomas um profissional (psicologia ou psiquiatria) deve ser procurado. É imprescindível construir uma rede de apoio capaz de sustentar os desabafos e sentimentos ambivalentes da mãe no pós-parto. Também é importante acolher, ouvir sem julgamento, opinar apenas quando lhe for solicitado, agendar as visitas (não aparecer de surpresa) e se colocar à disposição para ajudar quando for preciso”, declara.

Da Redação

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