Banco de Leite Humano supera desafios e mantém estoques na pandemia

Ele é fonte de vida, de energia, de nutrientes, de saúde e de muito amor. O leite materno é o único alimento que o bebê precisa até os 6 meses de vida. Enquanto muitos recém-nascidos são agraciados com o aleitamento materno em ‘livre demanda’, outros contam com a bondade daquelas mães que fazem a doação desse líquido tão precioso.

Mesmo diante de inúmeras dificuldades, que iniciaram em 2020 com a chegada da pandemia, ainda é possível continuar fazendo o bem. As restrições da Covid-19 não causaram impactos significativos no Banco de Leite Humano (BLH) Doutor Jorge Nisiide do Hospital Bom Jesus. Enquanto diversos municípios enfrentaram, duramente, a falta desse precioso alimento, em Toledo o estoque se manteve para atender os bebês necessitados. O comparativo apresenta um pequeno aumento que foi fruto da dedicação da equipe profissional que atende no BLH, da rede de apoio e das mamães doadoras.

“Mesmo nesse caos gerado pela pandemia, a doação de leite não foi muito afetada. Pelo contrário, tivemos meses que as mães doaram até mais leite”, destaca a enfermeira do Banco de Leite Humano, Tatiane Maria Pauli. “Quanto aos atendimentos de maneira geral alguns foram afetados, por exemplo, as palestras e curso de casais grávidos que até o momento não estão sendo realizados. Já os outros atendimentos ocorrem normalmente com os devidos cuidados”.

Tatiane pontua que, desde o início da pandemia, o BLH teve que adotar como rotina o agendamento dos atendimentos. Essa estratégia continua sendo aplicada nos dias atuais, pois é uma medida de prevenção para evitar aglomerações, tendo em vista que a estrutura física do espaço no Banco de Leite é pequena.

DOAÇÃO DE ‘VIDA’ – De janeiro a dezembro de 2020, o BLH arrecadou 1.308,577 litros de leite humano, somente em Toledo. Já em 2019, foi de 1.175,013 litros de leite. Em relação ao número de doadoras é normal que ocorra oscilações, pois dependem das condições de cada doadora (situações em que elas deixam de doar, devido algum problema de saúde, ausência da cidade, desmame do filho, entre outras).

“Com a pandemia tivemos que fazer algumas mudanças nos atendimentos. Antes as mães internadas no Bom Jesus, assim que recebiam alta, iam até o Banco – que fica no térreo – para receber as orientações. Hoje, todo esse processo orientativo acontece no setor. Quanto às coletas domiciliares, desde o mês de março, não entramos mais no domicílio da doadora, pedimos para elas levarem o leite até a porta. No início da pandemia as visitas as novas doadoras foram suspensas, onde uma colaboradora ia até o domicílio deixava o material e orientava como fazer a doação, isso foi feito por telefone só era levado o material”, avalia.

ATENDIMENTOS E COLETAS – Em 2020, os atendimentos individuais – que incluem as mães com bebês internados na UTI Neo Natal e externos – foi 1.803. Enquanto que os atendimentos em grupo – que incluem casais grávidos, palestras (foram realizados somente de janeiro a março) e mães que receberam alta e passaram pelo BLH – foi 2.792.

Em relação aos trabalhos de coleta dos vidros, a colaboradora do BLH passa uma ver por semana nas residências das doadoras de Toledo. Nas demais, que integram os outros municípios da área de abrangência da 20ª Regional de Saúde, o Banco conta o apoio e logística das Unidades Básicas de Saúde (UBBs) para recolhimento e entrega em Toledo. As mães que são doadoras após coletar o leite podem deixar o líquido congelado por até 15 dias.

LÍQUIDO PRECIOSO – A prioridade do leite doado são os bebês da UTI Neo
Natal e aqueles que nascem no hospital e precisam de complemente durante a internação. Tatiane explica que quando o BLH tem um estoque favorável é possível liberar para mães externas para complementar em casa nos primeiros dias.

“É importante que toda mãe com excesso de produção de leite faça a doação, porque todo e qualquer ml de leite é bem vindo, tendo em vista que temos bebês prematuros que iniciam recebendo poucos mls de leite. Sabemos que o leite materno é rico em anticorpos. É o melhor alimento que um bebê pode receber”, reforça a enfermeira.

Da Redação

TOLEDO