Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer: a incansável busca por qualidade de vida


“A causa exata do Alzheimer ainda permanece desconhecida”, pontua a médica geriatra – Foto: Divulgação

Nos últimos anos, alguns meses vêm sendo associados a cores e campanhas de conscientização, prevenção e diagnóstico precoce de determinadas doenças. Recentemente, foi instituído o Fevereiro Roxo, mês da conscientização sobre Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer. Essas três doenças tem condições bem diferentes em si, mas apresentam um ponto em comum: são incuráveis.

Por isso, a informação e o diagnóstico precoce podem ajudar a manter a qualidade de vida. As campanhas realizadas neste mês buscam alertar sobre os sintomas destas doenças de forma a estimular a procura por auxílio médico o quanto antes.

O médico reumatologista Leonardo Michaelis Schmidt e a médica geriatra Kenny Regina Lehmann, cooperados da Unimed Costa Oeste, explicam as três doenças. Schmidt cita que o Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença crônica autoimune. Ela surge a partir de uma desregulação do sistema imunológico que é o sistema de defesa do corpo. “Sendo assim, nossas próprias células de defesa começam ‘atacar’ outras células do corpo e produzir anticorpos contra elas, como se ‘não reconhecessem’ as próprias células”, cita.

SINTOMAS – Ele comenta que os sinais e sintomas do Lúpus são muito variados, podendo acometer a pele e as articulações ou até mesmo os chamados ‘órgãos nobres’ como rins, pulmão, coração e sistema nervoso. “A doença costuma surgir em mulheres ainda jovens, possivelmente devido fatores hormonais femininos envolvidos, além de predisposição genética para tal”, complementa Schmidt.

Já a Fibromialgia, o médico cita que é uma doença benigna que envolve uma desregulação em nosso sistema de reconhecimento de dor, ou seja, a pessoa que a possui pode apresentar dores por todo corpo mesmo em locais onde não exista nenhum trauma ou machucado.

O reumatologista enfatiza que existem alguns pontos mais comuns distribuídos pelo corpo que a portadora de fibromialgia costuma sentir maior sensibilidade, os chamados ‘tender points’. “A doença é mais comum em mulheres dos 30 aos 60 anos, porém pode afetar qualquer sexo, etnia ou idade. Outros sintomas como alteração de sono, desânimo e depressão também podem estar presentes na fibromialgia”.

E a terceira patologia lembrada no mês de fevereiro é a doença de Alzheimer. A geriatra Kenny Regina Lehmann esclarece que ela é o tipo de demência mais comum no mundo e se caracteriza, principalmente, pela deterioração cognitiva e de memória, além de uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais, que ocasionam o comprometimento de atividades da vida diária.

“Mesmo sendo alvo de muito esforço por parte da comunidade científica, a causa exata do Alzheimer ainda permanece desconhecida. A ciência aponta idade, hereditariedade e genética como fatores de risco não modificáveis. Um estudo recente (Lancet, 2020) aponta 12 fatores de risco modificáveis, que podem prevenir até 40% dos casos de demência”.

Entre os fatores de risco modificáveis, a médica cita hipertensão, baixa escolaridade na infância, deficiência auditiva, tabagismo, obesidade, depressão, diabetes, baixo contato social, inatividade física, consumo excessivo de álcool, poluição do ar e lesões cerebrais traumáticas.

DESCOBERTA – Tanto o Lúpus quanto a Fibromialgia são doenças que quanto antes descobertas, o tratamento e acompanhamento tendem a ser melhores, aumentando as chances de sucesso. O médico reumatologista Leonardo Michaelis Schmidt lembra que o Lúpus e a Fibromialgia são doenças crônicas nas quais não são usadas o ‘cura’, mas sim ‘remissão’ dos sintomas da doença.

“Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor. Porém, em doenças com múltiplos sintomas e sinais, como no caso do Lúpus, que pode inclusive ‘imitar’ outras doenças, nem sempre esse diagnóstico aparece de forma precoce”, pontua o profissional.

Já na doença de Alzheimer, a geriatra explica que a prevenção através do controle dos fatores de risco é a melhor abordagem. Porém, o momento do diagnóstico e início de tratamento, infelizmente, não altera muito o curso da doença.

“A doença de Alzheimer é muito mais frequente quanto mais avançada a idade. Não há evidência de que uma intervenção única seja eficaz em retardar ou prevenir a demência, porém existem evidências de que a modificação intensiva dos fatores de risco possa retardar ou prevenir casos de demência no mundo. Essa mudança dos fatores de risco, por meio da melhora do estilo de vida, deve acontecer, principalmente, entre 45 e 65 anos de idade”.

CONSCIENTIZAÇÃO – A campanha do Fevereiro Roxo busca conscientizar a população sobre essas três doenças e apresentar mais informações e esclarecer dúvidas. “Quanto mais informadas as pessoas são sobre a saúde maiores as chances de elas terem um comportamento saudável, minimizando problemas de saúde. A promessa de curas milagrosas nas doenças incuráveis é um dos pontos mais nevrálgicos no atendimento a estes pacientes e seus familiares”, pontua a geriatra Kenny Regina.

O médico reumatologista Leonardo Michaelis Schmidt enfatiza que a falta de informações confiáveis pode causar estresse, ansiedade desnecessários em relação aos sintomas que estão apresentando no paciente. “Lembramos que é sempre importante a busca por atendimento profissional especializado assim que houver qualquer suspeita dessas doenças”, finaliza.

Da Redação

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