Níveis de estresse podem interferir nos lábios e nos dentes

A pandemia tem escondido os sorrisos, seja pelo uso da máscara ou pelas preocupações que a Covid-19 tem trazido. A saúde bucal também sentiu o impacto trazido pela doença. Tem aumentado exponencialmente o número de pessoas com algum tipo de problema que requer ajuda de um profissional da odontologia. Cuidados com a higiene bucal é fundamental para evitar problemas, contudo, também é preciso ter atenção ao emocional – fator que pode estar diretamente ligado a saúde bucal.

O aumento de casos também está relacionado com questões emocionais e alimentação inadequada intensificada desde meados de março. Neste período de diversas mudanças mais pessoas passaram a sentir dores na face, bruxismo (que é o ranger de dentes e apertamento dental), além de fraturas nos dentes. Também é preciso ter cuidado e atenção diante do aparecimento de herpes labiais.

“O herpes labial é uma infecção viral de alto nível contagioso, apresentando bolhas pequenas e doloridas em regiões como lábios, boca ou gengivas”, explica a especialista e mestre em Ortodontia, doutoranda em Materiais Dentários, Jessica Rico Bocato Borborema. “A infecção se dá através do contato direto com lesões infectadas pelo vírus, ou pelos objetos que o indivíduo contaminado tenha usado”.

O estresse é um dos motivos que desencadeiam o herpes. A causa pode ser física ou mental, contudo, diante de situações de estresse podem ocorrer na sequência uma diminuição do sistema imunológico e a reativação do vírus – que está escondido no corpo em estado de latência – seguida dos primeiros sintomas que podem envolver o aparecimento de pequenas bolhas de água agrupadas; elas se rompem, formam feridas, crostas e depois cicatrizam e o vírus volta ao estado de latência. Todo esse ciclo pode durar de sete a dez dias.

Jessica pontua que sempre após uma crise de herpes é recomendado que a escova de dentes seja trocada. “O vírus pode permanecer durante algum tempo nela e deve-se evitar deixar essa escova em contato com outras escovas de dentes, pois assim poderá contaminar outras pessoas. A escova de dentes acaba se tornando um veículo para o vírus acessar a cavidade bucal, o que permite a transmissão da doença”, alerta.

BRUXISMO – Conforme a especialista, diante deste período de incertezas, muitas pessoas também têm buscado os consultórios odontológicos com relatos de estarem ‘apertando’ ou ‘rangendo’ mais os dentes, decorrente do aumento do stress e ansiedade.

“Essa ação de apertar ou ranger os dentes é popularmente conhecida como bruxismo. Dependendo do grau de severidade, pode acarretar desgaste dental patológico, sensibilidade e retração gengival, ou seja, precisa atenção e cuidado para evitar mais problemas”, explica a profissional ao salientar que a escovação inadequada pode piorar a retração gengival e a sensibilidade.

Entre os cuidados com a saúde bucal, Jessica cita que é importante realizar a troca das escovas regularmente devido ao acúmulo de placa bacteriana após determinado tempo. Essas trocas devem ocorrer, em média, a cada três meses de uso.

“Se o tempo de uso for muito delongado começa a ocorrer o desgaste das cerdas, comprometendo a remoção da placa bacteriana sobre a superfície dos dentes e gengiva, com isso, a escova perde a eficiência. No entanto, casos de força excessiva durante as escovações, podem danificar mais rapidamente e devem ser trocadas a cada um mês de uso”, orienta ao acrescentar que também é recomendado realizar a desinfecção das escovas de dentes com enxaguantes bucais a base de clorexidina ou solução de água oxigenada.

Da Redação

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