Pandemia do HIV: 40 anos depois, como sobreviver ao vírus?

Foi em 1980. Um vírus, o contágio e uma imensidão de vidas perdidas. Crise na estrutura sanitária. A doença não escolhe idade, sexo ou raça. Preconceitos e negação. Já se foram 40 anos do início da pandemia de HIV/Aids e a ciência ainda não encontrou uma cura definitiva, tão pouco uma vacina, mas descobriu meios de dar mais qualidade de vida aos doentes,

Receber o diagnóstico; aceitar; fazer o tratamento; seguir a vida. Quem convive com a doença passa por todos os ciclos e precisa de uma rede de apoio para não desistir e não fraquejar. Essa rede envolve o suporte clínico, psicológico e familiar.

“Após 40 anos do início da pandemia, o estigma, o preconceito e todas as facetas que envolvem o HIV/Aids, colocam-se como pauta de discussão e atenção dos serviços de saúde, já que o objetivo do trabalho em rede é proporcionar o diagnóstico precoce e facilitar a adesão ao tratamento, contribuindo para diminuir novos diagnósticos e adoecimento pelo agravo”, pondera a coordenadora do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA/SAE) do Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar), Jéssica Leonita Sartor.

Para que o paciente tenha mais qualidade de vida, os órgãos públicos investem em campanhas de conscientização e de incentivo ao tratamento. Contudo, a realidade é o aumento contínuo do número de casos a cada ano. O CTA/SAE– que atende os 18 municípios da área de abrangência da 20ª Regional de Saúde – é a unidade responsável em prestar atendimento para essas pessoas. 

Atualmente o CTA/SAE possui 1.139 pacientes cadastrados, sendo 743 em tratamento com antirretroviral. O município de Toledo contabiliza 501 portadores do HIV/ADIS que são atendidos pelo serviço. “O CTA/SAE é de grande importância para o atendimento das pessoas vivendo com o vírus, já que conta com uma equipe multiprofissional capacitada e treinada para prestar atendimento integral buscando melhorar a qualidade de vida das pessoas que procuram o serviço, devido ao diagnóstico positivo para HIV/AIDS”.

O serviço oferece atendimento com médicos infectologistas, assistente social, psicóloga, equipe de enfermagem, conta também com a oferta de exames específicos do agravo, farmácia para dispensa da medicação antirretroviral. Além disso, possui uma equipe administrativa preparada para realizar o atendimento, agendamento e orientação ao paciente.

RISCO X CONTÁGIO – O vírus pode ser transmitido de mãe para filho, ao compartilhar agulhas e seringas ou pelo sexo. A relação sexual desprotegida é a forma mais comum e de maior taxa de transmissão do HIV. Essa realidade acontece, de forma geral, por duas situações: o não uso do preservativo pela população, principalmente os adolescentes e jovens; e pelo não conhecimento de sua sorologia. Existem aquelas pessoas portadoras do HIV que não sabem de sua condição, que não usam o preservativo e assim transmitem o vírus mesmo sem ter conhecimento disso.

CONSCIENTIZAÇÃO QUE PREVINE – Os serviços de saúde se empenham em desenvolver ações para conscientização, porém ainda é preciso avançar mais. Ainda existe muita descrença por parte de população jovem em não acreditar que o vírus é uma realidade atual e a doença não parou apenas na década de 80 quando famosos tiveram o diagnóstico positivo, dando mais repercussão sobre o HIV/Aids.

Jéssica alerta que as pessoas precisam se conscientizar de que em uma única relação sexual desprotegida pode ocorrer o contágio do vírus do HIV, além de outras infecções sexualmente transmissíveis. “O trabalho de prevenção e conscientização sobre o HIV/Aids parte de todos os serviços que compõem a rede de atendimento à população, sendo que os serviços de saúde devem ofertar os insumos de prevenção, bem como as orientações para que o usuário tenha acesso a todo o acompanhamento necessário, visando um atendimento integral, de forma humanizada e com qualidade”, declara.

Da Redação