Preconceito e aceitação: o papel da rede de apoio emocional

O serviço de psicologia atua diretamente no acolhimento, no aconselhamento, na orientação e suporte a adesão do tratamento dos pacientes com HIV/Aids. Esse tipo de atendimento proporciona que os pacientes tenham suporte no enfrentamento do diagnóstico, práticas preventivas e cuidados de si, revelação do diagnóstico, resistência à tomada de medicação, preconceito e estigma.

“No início da pandemia de HIV/Aids, o desconhecimento acerca de manejo da doença e medicações, a falta de informações e de assistência e, por fim, o preconceito relativo aos portadores do vírus contribuíram para a disseminação da enfermidade”, cita a psicóloga do CTA/SAE, Maiara Graziella Nardi. “Após a comunidade científica conseguir o isolamento do vírus, iniciaram-se pesquisas mais sólidas e de relevância para a saúde pública”.

Maiara destaca que a psicologia faz parte do atendimento especializado e multiprofissional para os pacientes portadores da HIV/Aids. “Uma das áreas dessa ciência que atua em tal esfera é a psicologia da saúde, a qual proporciona a promoção da saúde e a prevenção dessa e de outras doenças, nos mais diversos espaços sociais e culturais. Difunde, também, informações voltadas à aceitação individual e social dos riscos da doença e em apoio aos soropositivos. A psicologia da saúde busca, dessa forma, a melhoria das condições de vida do ser humano acometido pela doença e da sociedade em termos de prevenção e relações de cuidado”.

ATENDIMENTO ESSENCIAL – O profissional de psicologia, conforme Maiara, tem muito a oferecer em termos de colaboração no pós-diagnóstico dos portadores do vírus do HIV: é decisivo acolher e aconselhar aos portadores, desde o início. Essa tarefa deve ser conduzida por profissional da psicologia, pois o momento do diagnóstico desperta sentimentos como revolta, culpa, medo de discriminação, rejeição, entre outros.

“O serviço psicológico de acolhimento e aconselhamento estende-se também aos familiares dos pacientes, sempre que necessário. Aos portadores, o serviço abrange ainda o acompanhamento, visto que o processo exige da pessoa em atendimento grande desprendimento, visando capacitar-se para trabalhar e rever as frustrações, enfrentar a angústia constante da tensão entre a vida e a morte, o reposicionamento perante suas escolhas, a capacidade de responsabilizar-se por seu presente e futuro”, avalia.

O serviço proporcionado pela ciência psicológica abrange ainda atuação do profissional na promoção da saúde da população, por meio de campanhas de conscientização, através de fornecimento de informações e suprimentos necessários à prevenção do vírus do HIV/Aids e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s).

“Tanto para a sociedade quanto para o indivíduo portador do vírus HIV, quer tenha ou não desenvolvido a Aids, a acolhida, o aconselhamento e o acompanhamento e a conscientização são essenciais e devem ser conduzidos segundo princípios da psicologia da saúde, por profissionais capazes de apoiar e orientar o paciente para que siga com o tratamento e preparado para um futuro renovado”, alerta.

O VÍRUS E A DOENÇA – O vírus da imunodeficiência humana, mais conhecido como HIV, atinge o sistema imunológico, comprometendo seu funcionamento. A pessoa infectada pelo HIV não necessariamente desenvolve sintomas, por isso, muitas vezes transmitem o vírus sem saberem que são portadoras.

“Se não diagnosticado e tratado, o portador do vírus do HIV desenvolve a doença chamada Aids – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – , que compromete o funcionamento do sistema imunológico, deixando o organismo vulnerável a infecções oportunistas como tuberculose, herpes, neurotoxoplasmose, entre outras. Portanto, ter o HIV não é a mesma coisa que ter Aids”, explica a psicóloga.

Muitas pessoas soropositivas podem viver anos sem apresentar sintomas ou desenvolver doenças, mas essas pessoas podem transmitir o vírus a outras. “Por isso, é muito importante manter uma rotina de testagem, porque o diagnóstico precoce diminui a rede de transmissão, bem como a evolução para doenças oportunistas e Aids”, aponta Maiara ao salientar que o diagnóstico precoce melhora a qualidade de vida.

Da Redação

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