Quando a solidão pede cuidado: um olhar para a saúde mental

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Janeiro Branco é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde mental. O movimento convida a sociedade a refletir sobre sentimentos e a importância do autocuidado com a saúde mental, alertando a todos de que ele é fundamental para uma melhor qualidade de vida. Além disso, a campanha informa as pessoas sobre onde e como procurar ajuda. Em 2026, o chamado é simples e urgente: cuidar da mente precisa ser um compromisso coletivo.

Dentro desse contexto, a solidão merece atenção especial. Sentir-se sozinho nem sempre significa estar sem pessoas por perto; muitas vezes, é uma sensação interna de desconexão. A campanha Janeiro Branco reforça que cuidar da mente é um ato de responsabilidade consigo mesmo e que ninguém precisa enfrentar seus desafios emocionais sozinho.

A psicóloga Jéssica Marie Besing explica que há uma diferença entre solidão e solitude, sendo que a solidão é permeada de sentimento de vazio, isolamento o que causa sofrimento no indivíduo. Já solitude, seria o estar só, mas no sentido positivo, usando o tempo para autocuidado, hobbies, entre outras atividades.

“Assim, quando falamos em solidão, sendo algo negativo, é necessário que se tenha atenção em razão dos aspectos advindos, como isolamento social, tendência a envolvimento com alternativas viciantes, como comida, jogos, etc. Além de a tendência ao isolamento ser um sintoma em indivíduos depressivos”.

IMPACTO – Há seis anos o mundo viveu uma transformação. A pandemia da Covid-19 trouxe muitos problemas emocionais à sociedade em geral. Jéssica explica que apesar de casos de ansiedade e depressão já estarem aumentando antes, o período pandêmico agravou tal perspectiva. O período deixou marcas. Pessoas com tendência a desenvolvimento de transtornos mentais, foram grandemente impactadas, dada a dificuldade em interações sociais presenciais.

A psicóloga comenta que observou-se nesse período aumento significativo de contato com telas, o que tem trazido prejuízos principalmente para crianças e adolescentes, comprovado através de estudos que demonstram situações de vícios em tela. “O que podemos aprender com o episódio, é que somos frágeis e as coisas no mundo são incertas, e que a necessidade de cuidado com saúde mental é constante. Aprendemos também a importância do contato social e como necessitamos estar próximos dos nossos queridos”.

ALERTAS – Quando a solidão deixa de ser apenas um momento passageiro, pode começar a afetar o corpo de maneiras silenciosas, porém significativas. O organismo passa a dar sinais de alerta que muitas vezes são confundidos com cansaço, estresse ou desânimo do dia a dia. Alterações no sono, dores frequentes, queda de energia, mudanças no apetite e maior sensibilidade emocional são alguns indícios de que a falta de conexão social está impactando a saúde física e mental.

A psicóloga destaca que é necessário estar bem atento ao próprio funcionamento do corpo para observar as mudanças advindas de estar sozinho. “Entender o que o motiva a ficar sozinho é muito importante. Existem pessoas que ficam bem por longos períodos sozinhos, mas outras têm como sintoma depressivo o isolamento. Quando se trata de sintoma depressivo, surgem outros sentimentos concomitantemente, como de inadequação, fadiga extrema, apatia, anedonia, entre outros, o que acaba se agravando se não for tratado adequadamente”.

A profissional complementa que “pessoas que se sentem muito sozinhas, também podem desenvolver vícios em jogos, em assistir vídeos ou mesmo em comida, o que prejudica o indivíduo emocionalmente e fisicamente, diante de sedentarismo e da má alimentação”.

MUDANÇA – Mas o estar sozinho também pode trazer benefícios. É possível transformar o tempo que está sozinho em uma oportunidade de crescimento pessoal. A psicóloga Jéssica Marie Besing pontua que é importante aprender apreciar nossa própria companhia. “Aproveitar momentos em que estamos sozinhos, para aprender mais sobre nós mesmos, descobrir novas coisas que conseguimos fazer. Ás vezes estamos tão imersos ao que a sociedade impõe, que esquecemos de aproveitar tempo sozinhos para fazer coisas que realmente apreciamos”.

Uma leitura, um hobby, uma atividade física, um curso novo, são exemplos de atividades saudáveis que podem ser uteis para aproveitar melhor o tempo sozinho e cuidar da saúde mental. A psicóloga orienta que o primeiro passo é buscar aprender mais de si mesmo para saber o que realmente precisa fazer.

“Existem estratégias para melhorar o autoconhecimento que podem ser aplicadas em momentos de solitude, como por exemplo escrever sobre sentimentos, também a prática de atenção plena, contribui para lidarmos com nossas emoções. Essa prática se refere a habilidade de estar consciente de suas emoções e reações no momento presente”.

APOIO – A psicóloga Jéssica Marie Besing salienta que cuidar da saúde mental é essencial para a vida. É importante estar atento para as emoções. Ela enfatiza que ao observar o sofrimento envolto em momentos de solidão, é necessário buscar ajuda. Ter uma rede de apoio é muito eficaz para tratamentos de transtornos mentais, e mesmo que seja difícil, o indivíduo precisa procurar alguém de confiança para conversar, seja na família, na igreja, na escola.

“Há momentos também, em que é de extrema importância procurar ajuda médica e psicológica, pois quando os sintomas não são tratados, a tendência é a piora no quadro de isolamento e possível desenvolvimento de transtornos mentais. Lembre-se, você não está sozinho. Existem canais onde é possível conversar e ser assistido por pessoas treinadas para ouvi-lo como o CVV 188, e serviços ofertados pelo município como os CAPS”, conclui.

Da Redação

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