A falta do adeus: a despedida que não aconteceu

Não poder ver. Não poder dar o último abraço. Não ter a oportunidade de uma despedida. Uma mescla de sentimento, dor e angústia que envolve o luto. Quem não vive diretamente o peso deste momento tem noção pelos números o quanto a Covid-19 é letal. Para quem sente na alma a saudade e o vazio deixado pelo ente querido, as estatísticas têm outra representatividade.

A família Barros está vivendo o luto. Em setembro do ano passado, a dona do lar, Jakeline Campanerutti Barros, perdeu o tio. Antonino Higino de Souza tinha 74 anos. Ele era hipertenso e problemas cardíacos. A família viveu 38 dias de angustia e incerteza.

Jakeline recorda que o tio ficou um dia no Pronto Atendimento Municipal Doutor Jorge Nunes (PAM/Mini-hospital) e 37 na UTI do Hospital Bom Jesus. Ele lutou, mas não resistiu.

“Minha mãe é irmã dele. Foi e ainda está sendo muito difícil essa partida. Estamos contando com o apoio da família e dos amigos. É um período de dor, ainda mais sem poder se despedir das pessoas queridas. Acreditamos que Deus possa nos dar sabedoria para podermos viver este momento de dor e que isso também vai passar”, relata.

MAIS UMA PERDA – A dor da família ficou ainda mais intensa. No dia 11 de fevereiro deste ano com a partida de Everaldo Luz Barros, 63 anos, sogro de Jakeline. “Meu pai era hipertenso. Não teve que aguardar leito. Ele ficou três dias no PAM e 12 dias na UTI do Hospital de Assis Chateaubriand”, conta o filho, técnico em eletrotécnica, Jefferson de Oliveira Barros.

Para Jefferson, neste período de luto é fundamental poder contar os familiares e amigos. “Temos que aceitar, faz parte da vida. Infelizmente, não é o que queríamos: perder um pai, mas tristemente aconteceu. Agora, o que nos resta é aprender a viver com a perda, dia após dia”.


Os familiares enfrentam a perda de Antonino – Foto: Arquivo Pessoal

Da Redação

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