Adapar acompanha casos de enfezamento do milho no Oeste

Um controle minucioso da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) busca mitigar os problemas ocasionados pelos enfezamentos na cultura do milho no estado. Na região Oeste, a situação está mais crítica. Além do Paraná, os enfezamentos avançam para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De acordo com o fiscal agropecuário da Adapar e membro do Conselho de Sanidade Agropecuária de Marechal Cândido Rondon, Anderson Lemiska, os problemas de enfezamento da cultura do milho ocorrem no Brasil há pelos menos 20 anos. Na região Oeste do Paraná, a Adapar observa os casos desde 2019. 

Lemiska explica que os molicutes, os agentes causais que atuam nas plantas, circulam pela planta e interferem na parte bioquímica afetando toda a regulamentação hormonal da planta. A transmissão ocorre pela cigarrinha do milho, conhecida atualmente como a única espécie de transmissão.

“Em relação ao sintomas do enfezamento das plantas, eles podem apresentar folhas de cor amareladas, avermelhadas e verde limão. Dentro de uma planta temos ter vários tipos de enfezamentos: Spiroplasma (enfezamento pálido), Fitoplasma (enfezamento vermelho) e também o vírus da risca. Todos eles são transmitidos pela cigarrinha na planta do milho”, comenta.

SINTOMAS – Outro sintoma encontrados nas lavouras com enfezamento é a presença de multiespigamento. O fiscal conta que nesse caso são várias inserções de espigas sem formação de grãos. Além disso, observa-se a diminuição do tamanho da raiz da planta, que é bem menor comparada a uma planta saudável.

Uma planta com enfezamento também apresenta perfilhamento quando ela emite um ramo principal e dois secundários. O acamamento da planta também aparece em plantas do milho com essa condição”. A princípio entendemos que o enfezamento enfraquece a planta e os fungos oportunistas de solo acabam dando problema de tombamento das plantas”, complementa.

MANEJO – A Embrapa recomenda diversas práticas de controle do enfezamento na cultura do milho. Lemiska reforça que elas precisam ser integradas para ter a máxima eficiência. “Entre as medidas preconizadas pela Embrapa é a sincronia da semeadura do milho, a escolha do material geneticamente tolerante ou mais resistente, tratamento de sementes para controle dos insetos iniciais e o monitoramento da cigarrinha”, pontua.

O fiscal agropecuário da Adapar salienta que esse monitoramento da cigarrinha é importante e, se necessário, o produtor pode utilizar o controle químico com o auxílio do profissional de agronomia ou agrotóxico registrado na Adapar para melhor eficiência.

“Dentro as práticas elencadas, uma que é extremamente importante é a eliminação do milho voluntário, ou milho guacho como é conhecido. Essa planta traz sérios problemas para a cultura do milho safra e safrinha, ou seja, é hospedeira tanto da cigarrinha do milho quanto da multiplicação do molicutes”, esclarece o fiscal ao enfatizar que o milho voluntário pode ser um grande perigo para uma plantação inteira.

“Entende-se que o milho voluntário inicia uma população de cigarrinha e isso vai se multiplicando. Uma cigarrinha pode colocar de 400 a 600 ovos que vão  migrar para o milho safra e acabar se multiplicando no milho safra e também chegar no milho safrinha com uma grande população de cigarrinhas atacando o milho já na fase inicial”.

Lemiska reforça que a Adapar monitora através de análises laboratoriais os casos na região. “A Adapar tem incentivado os conselhos de sanidade dos municípios para fazer campanhas de eliminação do milho voluntário justamente para quebrar esse ciclo inicial da população de cigarrinhas”, conclui.

Da Redação

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