O enfrentamento à Covid-19 não se dá apenas nos quartos de enfermaria e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em uma unidade hospitalar, todos os setores estão em alerta sobre os cuidados e os desafios que a pandemia trouxe. Desde a busca de um leito, a compra de insumos e medicamentos, a organização das escalas de plantão, a limpeza dos ambientes e o preparo dos refeições, inúmeros profissionais dedicam tempo para agilizar o tratamento e a recuperação de pacientes.

Na Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp), mantenedora Hospital Bom Jesus, uma mulher não tem medido esforços para buscar todos os recursos necessários e essenciais para combater a Covid-19. No cargo de superintendente da instituição, Zulnei Aparecida Machado Bordin empenha seus conhecimentos de 30 anos de experiência na área da Saúde. Formada em Administração com especialização em Gestão em saúde e Administração hospitalar, a profissional vê de perto todo o drama provocado pela Covid-19 e o incansável trabalho da sua equipe.

PREOCUPAÇÃO – No Hospital, ela relata que no passado outra pandemia também preocupou a equipe médica e administrativa. Em 2009, a H1N1 exigiu maior demanda nos hospitais, mas não foi preciso estabelecer medidas tão extremas de isolamento à toda a população. Zulnei recorda que nos hospitais não houve necessidade de tantas mudanças de fluxos internos, ao contrário do que está acontecendo no cenário atual.

“A pandemia de quase 11 anos atrás, no entanto, é um pouco diferente da que estamos vivendo já há um ano pelo coronavírus, seja em relação ao vírus e à doença, quanto ao impacto econômico nos hospitais com o expressivo aumento de preços dos insumos hospitalares”, relata.

A superintendente relembra que quando houve a pandemia do H1N1, o insumo que teve maior uso foi a máscara descartável para o controle de contaminações, porque o problema era apenas as gotículas da tosse e de espirro. “Já o novo coronavírus é capaz de permanecer por um longo tempo em superfícies e no ar, com uma contagiosidade muito maior que a do H1N1, tendo um potencial muito maior de gravidade da doença Covid-19”, enfatiza a profissional.

PREPARO – Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia do novo coronavírus, Zulnei lembra que o Brasil já tinha casos confirmados. Naquele momento a sensação foi de muita preocupação tendo em vista que a demanda por leitos hospitalares já era maior do que a capacidade de leitos de internamento.

Porém, a superintendente enfatiza que se chegassem casos o Hospital teria que prestar assistência até conseguir vagas. “Assim começamos a nos preparar com mudanças de fluxos internos de controle da propagação do vírus, a fim de proteger as equipes e outros pacientes. Também fizemos a elaboração de protocolos internos de assistência, capacitando assim os profissionais para a assistência da nova patologia com processos de segurança”, esclarece.

Com isso, o Hospital abriu uma nova estrutura de UTI para assistência exclusiva para casos de Covid-19. Zulnei enfatiza que as formas de proteção foram amplamente divulgadas pelos órgãos de saúde. Mas uma parte da população não seguiu as orientações o que contribuiu muito para o aumento de casos. Ela cita que a vacina também poderia ter evitado o grande volume de pacientes com gravidade da doença e o colapso nos leitos de assistência Covid, porém o imunizante chega muito devagar.

“Nossas equipes estão em exaustão pelo excesso de plantões e horas extras, para prestar assistência, considerando a falta de profissionais no mercado. Continuamos unidos no enfrentamento desta pandemia e esperamos em breve sair desta situação”, comenta.

Mesmo trabalhando dentro de uma unidade hospitalar, Zulnei conta que não contraiu o novo coronavírus. Ela atribui aos cuidados que são reforçados diariamente com o uso de máscara, higienização das mãos e evitar aglomerações. “Com isso foi possível evitar o contágio até o momento”.

LIÇÕES – Para a superintendente do Hospital Bom Jesus esse último ano trouxe muitas lições. Como profissional da Saúde ela viu o quanto o mundo estava exposto e despreparado para enfrentar pandemias. Ela também cita das dificuldades de aquisição de insumos, os problemas que o setor enfrenta com a falta de mais estrutura de leitos e uma remuneração do Sistema Único de Saúde que garanta no mínimo o custo da assistência, visto que a tabela de remuneração está a quase 20 anos sem nenhuma correção.

“Aprendi também que existe na sociedade muita falta de empatia, de se preocupar com o outro. Nesta pandemia, infelizmente, vimos muitas pessoas tomando atitudes como não usar máscaras, sem nenhuma preocupação do cuidado com o outro. Se o indivíduo não tem medo do contágio, no mínimo deveria ter preocupação em não contaminar outras pessoas”, pondera.

DIFICULDADES – Estar no meio de uma pandemia é como se estar no olho do furacão. Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e muitos problemas precisando de soluções. Zulnei revela que em determinado momento pensou que não conseguiria ‘dar conta’ de tudo.

Muitos processos ao mesmo tempo, montagem rápida de uma UTI, a escassez de medicamentos, reuniões à noite, finais de semana, a necessidade de transmitir tranquilidade aos profissionais de assistência que também tinham medo. Enfim, tudo era novo. E no meio disso tudo, ainda tinha o receio de levar o vírus para casa e tranquilizar e dar atenção à família que também estava apreensiva com a situação.

AMOR – Para superar esses momentos difíceis, ela conta que a força vem do amor pela profissão. “A força vem da vontade de sempre fazer o melhor, de amar a profissão de gestão hospitalar, onde cada ação que fazemos reflete na assistência do paciente. Pois é preciso garantir as condições necessárias como: insumos, pessoal e outros, tendo que atuar com recursos muito escassos do sistema público. O trabalho é árduo, mas ao mesmo tempo muito prazeroso, o que traz uma satisfação enorme quando vejo pacientes curados de alta hospitalar”, pontua a superintendente.

Neste Dia Internacional da Mulher, Zulnei Bordin parabeniza e agradece todas as mulheres profissionais da Saúde, com muito carinho especial às profissionais da Hoesp. “Trabalhar com mulheres especiais que incansavelmente estão no combate desta guerra ao Covid-19, a qual estamos vivenciando, reforçando que é preciso continuar, reunir forças e não se deixar abater. Estamos juntas!”.

Da Redação

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