Boletim destaca recuperação da economia de Toledo após o lockdown em 2020

A quarta edição do Boletim de Conjuntura Econômica do Município de Toledo traz dados sobre a população, em especial a expectativa de vida e o envelhecimento, sobre o desenvolvimento municipal, o mercado de trabalho, gestão fiscal, PIB dos municípios paranaenses, entre outros assuntos. Com produção trimestral, o Boletim tem como finalidade principal fornecer informações sobre a economia municipal de forma clara e objetiva.

Os dados apresentados são destinados aos cidadãos, empresários e gestores públicos e são de fontes oficiais e de organizações públicas e privadas.

O Boletim de Conjuntura Econômica do Município de Toledo é fruto de uma parceria entre a Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit) e o Núcleo de Desenvolvimento Regional (NDR) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo.

O destaque apresentado nesta edição do boletim é a recuperação da economia do município de Toledo após o lockdown em 2020. “A economia do município perdeu muitos empregos entre março e junho de 2020, mas conseguiu recuperar e manter o ritmo na transição de 2020 para 2021. Então o maior destaque do boletim é essa recuperação econômica que se consolidou nos últimos meses”, comenta o coordenador da elaboração do Boletim Jandir Ferrera de Lima.

DADOS – O Boletim traz também a projeção da população de Toledo efetuada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), em 2018. Os resultados apontaram uma evolução positiva na população de Toledo. Entre 2021 e 2040 a taxa de crescimento absoluta chegará a quase 18%. Num horizonte de vinte anos, essa taxa ficará abaixo de 2% ao ano.

O que surpreende, segundo o documento, é a expansão no número de idosos e aposentados, que deverá superar os 125% até o ano 2040. Isso contrasta com a retração no número de crianças e adolescentes ‘até 14 anos’, que deverá decrescer em -1,80%. Apesar do crescimento moderado da população adulta, a tendência é o envelhecimento acelerado da população toledana.

Já em relação as taxas de mortalidade em Toledo, na comparação com a cidade vizinha Cascavel e com o Brasil, em 2010, as taxas de Toledo foram, em sua maioria, menores que as de Cascavel, mas maiores nos grupos de cinco a nove anos, 60 a 69 anos e de 80 anos e mais. Em 2019, ocorreram algumas mudanças e foram maiores nos grupos de zero a quatro anos, cinco a nove anos, 20 a 29 anos, 30 a 39 anos e de 80 anos e mais, ou seja, em metade dos grupos se obteve indicadores maiores, diminuindo a vantagem que se obteve em 2010.

Mas a distribuição por causas de mortalidade é diferente entre Toledo, Cascavel e no Brasil. Uma das maiores diferenças aparece nas doenças do aparelho circulatório, na qual os percentuais de Toledo são de 30 a 40% maiores em relação às de Cascavel e do Brasil. Em relação as doenças infecciosas e parasitárias, o município de Toledo apresentou redução do percentual de óbitos por estas doenças (queda de 1,03%) em relação ao total em 2019, índice que também foi menor do que o observado em Cascavel e no Brasil como um todo.

E as doenças do aparelho circulatório incluindo infarto, doenças cardíacas, AVC, além de câncer foram responsáveis por 43,89% dos óbitos em 2010 e 45,26% em 2019, sendo muito representativa em relação ao total. Esses percentuais foram menores do que em Cascavel nos dois períodos e maiores que do Brasil em 2019.

“Percebemos que essas doenças – que mais prejudicam a população – estão ligadas ao estilo de vida urbano, os perfis da nutrição e da produção agroalimentar. São doenças decorrentes de hábitos não saudáveis. Este dado demonstra que se faz necessários políticas públicas que estimulem a população a ter hábitos saudáveis”, salienta Jandir Ferrera de Lima.

ECONOMIA – O Boletim de Conjuntura Econômica do Município de Toledo traz também informações de empresas existentes e atuantes com base no alvará ativo de março de 2021. No segmento de agropecuária são 38 empresas; na indústria 457; no comércio 2.824; serviços 3.983, totalizando 7.302 novas empresas e 6.342 Microempreendedores Individuais (MEIs).

No total geral, as empresas de comércio e serviços representam 93% das firmas com alvará ativo na Prefeitura Municipal. Os Microempreendedores Individuais no setor terciário corresponde a 94% dos alvarás ativos.

Sobre a geração de emprego, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que de janeiro a março de 2021, Toledo gerou 2.023 postos de trabalho, nas áreas de Serviços (801), Construção (190), Indústria (609), Agropecuária (106) e Comércio (317).

Em termos de remuneração, Lima aponta que as cidades com mais habitantes conseguem ter uma remuneração melhor em relação as cidades com menor número de habitantes. No entanto, é preciso levar em consideração o custo de vida. “Sabemos que os alugueis pesam muito no orçamento das famílias, assim como combustíveis e alimentação e, infelizmente, a remuneração não acompanhou esse aumento no custo de vida”.

REPOSICIONAMENTO – Por fim, o Boletim traz a informação do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios paranaenses, com base nos dados do Ipardes/2017. Na época, Toledo tinha 1% do PIB do estado por conta do seu perfil agroindustrial. Contudo, Jandir Ferrera de Lima acredita em um reposicionamento do município por conta de alguns fatores.

“O primeiro deles é a valorização das commodities no mercado internacional que fez com que a cidade tivesse mais rendimento; segundo porque Toledo vem diversificando o seu parque produtivo com a expansão das áreas de nutrição animal, na agroindústria e também no Biopark, o qual tem atraído empresas que atuam em ramos diferentes dos tradicionais no município e isso tem ajudado a economia de Toledo a se diversificar”, cita.

O terceiro fator está relacionado as dificuldades econômicas da Região Metropolitana de Curitiba que podem refletir nesse reposicionamento das economias do interior. Lima alerta para os riscos que o município tem. “O risco de Toledo frente a esse cenário é a falta de mão de obra qualificada e o custo de vida para se manter na cidade. Alimentação, combustível e aluguel que pesam muito orçamento dos trabalhadores”, conclui.

Da Redação*

TOLEDO

*Com informações da Assessoria