Cinco bloqueios: Setor de Combate às Endemias alerta sobre a dengue

Manter os quintais limpos e evitar a formação de criadouros do mosquito da dengue envolve conscientização e bom senso de toda a população. Toledo não teve nenhum caso positivo da doença – desde o início deste período epidemiológico (31 de julho de 2021) – contudo, o Setor de Controle e Combate às Endemias de Toledo, neste mês de novembro, já realizou cinco bloqueios. A população precisa estar em alerta para evitar uma epidemia de dengue, as ações de combate precisam ser contínuas.

Os bloqueios são ações efetivas realizadas pelos agentes de endemias que visam eliminar os criadouros e larvas – no raio de aproximadamente nove quarteirões do local da notificação. A coordenadora do Setor de Controle e Combate às Endemias de Toledo, Lilian Fátima Konig, explica que o bloqueio acontece após a ocorrência dos casos suspeitos, contudo, somente após o prazo de 15 dias – chegada dos resultados das análises – é possível saber se eram situações de casos positivos.

“Neste mês, o Setor de Controle e Combate às Endemias de Toledo já realizou dois bloqueios no Jardim Europa, dois no Jardim Paulista e um no Jardim Fachini”, relata Lilian ao reforçar que esse tipo de ação é uma forma de combater o início – na tentativa de evitar que a doença tome outras proporções. Ela explica que quando acontece a notificação é preciso eliminar os focos. O responsável do imóvel notificado se reincidir com a segunda notificação está passível de multa. Além disso, não pode receber nenhuma notificação no período de dois anos.

ALERTA E NOTIFICAÇÕES – “Neste ano o Setor já emitiu mais de 200 notificações de deposito de larvas e aplicação de 26 multas. Tínhamos parado com os bloqueios, contudo, diante das notificações essas ações foram retomadas. Nos cinco bloqueios, deste ano, fizemos as visitas, eliminamos os criadouros e logo após foram realizadas as aplicações com o Ultra Baixo Volume (UBV); essas aplicações não podem acontecer em dias com temperatura acima dos 30 Cº, por isso, os trabalhos ocorrem no horário das 5 horas às 6 horas”, esclarece a coordenadora ao recordar que em 2020, o Departamento de Endemias registrou 309 notificações e 34 multas.

No fim de outubro, ocorreu o quarto  Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LiraA) 2021. Os agentes de endemias encontraram criadouros do inseto transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya em 1,8% dos 1.730 imóveis visitados, mais que o triplo do levantamento ocorrido em setembro e acima do máximo recomendado pelos organismos nacionais e internacionais de saúde (1%). Lixo doméstico, pratos de flores, tonéis, pneus, lonas, piscinas, churrasqueiras, bebedouros, cisternas, entre outros objetos formaram os principais criadouros dos mosquitos.

SEM CASOS CONFIRMADOS – Os dados do período epidemiológico 2020/2021 apontam que o município teve 515 notificações, sendo 449 delas descartadas. Apenas 11 casos importados e 55 autóctones (contaminados no município) foram registrados, totalizando 66 pessoas confirmadas no período. Ao comparar com o ano anterior (julho de 2019 a julho de 2020) fica evidente a redução de 98,64% no número de casos. Dos 4.863 casos confirmados na época, 4.800 foram autóctones e 63 importados.

Do dia 31 de julho até o dia 24 de novembro, segundo Lilian, Toledo não teve registro de nenhum caso positivo de dengue. Ela comenta que, geralmente, os riscos ficam mais elevados em fevereiro e março. Entretanto, os agentes de endemias têm encontrando muitas larvas e isso preocupa, pois se o município passar a registrar casos positivos ainda este ano elevam as chances de Toledo enfrentar uma epidemia por conta da curva.

“Os primeiros casos podem aparecer em dezembro, pois as pessoas viajam e podem trazer o vírus para o município. Por isso, é importante que diante dos sintomas e suspeita de dengue aconteça a notificação, pois assim é possível o Setor de Endemias iniciar os trabalhos de combate”, orienta.

MAPA EPIDEMIOLÓGICO ANTERIOR – No período epidemiológico 2020/2021, no perímetro urbano, as regiões com maior incidência de casos foram os jardins Santa Clara IV, Panorama e São Francisco e o Centro. Já no interior, foi o distrito de Dois Irmãos. A equipe do setor de Endemias, na ocasião, conseguiu agir com rapidez no interior, detectou o foco das lavas e solucionou o problema da infestação.

“O Setor de Controle e Combate às Endemias de Toledo está muito preocupado. Percebemos que a população não tem se preocupado em combater a dengue. Continuamos com os trabalhos de visitas, notificações e, quando reincidentes, a aplicação de multas. Cada um precisa fazer a sua parte para não enfrentarmos uma epidemia”, alerta a coordenadora.

BOLETIM DO ESTADO – O boletim semanal da dengue divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde registrou 26 novos casos confirmados, chegando a 423 no total. Os dados são do 14º Informe Epidemiológico, do novo período sazonal da doença, que iniciou no dia 1º de agosto e deve seguir até julho de 2022. Até o último dia 22,  77 municípios registraram casos da doença, sendo que 61 confirmaram casos autóctones, ou seja, a dengue foi contraída no município de residência. Mais de 1.600 casos estão em investigação e 263 municípios registraram notificações de dengue, que passaram de 8.626 para 9.216. O Estado não registrou nenhum óbito neste período.

“No mês de novembro temos o Dia Nacional de Combate a Dengue, com o objetivo de mobilizar a população e o Poder Público para a realização de ações no combate ao vetor da doença. Mas esse cuidado deve ser feito em todo o ano, todos os dias. Dengue é uma doença febril grave, e que pode ser combatida com a ajuda de todos”, lembrou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Da Redação*

TOLEDO

*Com informações da Agência de Notícias do Paraná