Consumo de peixe na Quaresma pode aumentar em média 30% em Toledo e região

O começo da Quaresma representa também um aumento do consume de peixes. Para algumas pessoas esse é um período religioso e é marcado pela tradição em se abster do consumo de carne vermelha durante os 40 dias que antecedem a Páscoa. Com isso, a tendência é a ampliação nas vendas de pescados, sendo a tilápia a principal espécie consumida em Toledo e região.

O médico veterinário do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar-Emater), da regional de Toledo, Gelson Hein pondera que deve haver um acréscimo do consumo em torno de 30% neste período da Quaresma, que é o esperado pela cadeia de produção de peixes. “O crescimento envolve uma questão religiosa. Alguns frigoríficos de Toledo e região não fizeram grandes estoques, porque o custo está alto e optaram por trabalhar dentro de uma normalidade”.

Hein destaca que o crescimento só não é maior, porque o poder aquisitivo da população não permite e também a manutenção dos preços das outras carnes está elevada. “A expectativa para o aumento da venda está para os dias que antecedem a Semana Santa. Neste período, o consumo deve ampliar”.

O médico veterinário revela que não haverá falta de produtos à base de carne de peixes e também não espera-se a redução dos preços. “É inegável o alto custo da proteína animal para o consumo humano desde o início da pandemia. Não foi o instinto de sobrevivência que levou a um aumento na procura pela ‘mistura’ mas os oportunismos de propagação de uma possível falta dos produtos”.

Ele salienta que os custos, na sequência, começam elevar-se por conta dos cereais que são inseridos na alimentação dos animais sendo exportados a preços nunca vistos e chegando a patamares quase insustentáveis e temerosos de ‘vender o que ainda nem foi produzido’.

O profissional ainda recorda que em Toledo assim como em alguns municípios do Estado as feiras de peixes, neste período da Quaresma, movimentavam o setor por conta da oferta de alguns peixes nativos e espécies não tradicionais. “Em função da pandemia não devem ocorrer limitando ainda mais esse período considerado como uma ‘boa safra’ para todos os produtores de peixes e auxiliando a todos os consumidores produtos saudáveis e apetitosos”.

CENÁRIO – O médico veterinário explica que o sistema de produção de peixes é intensivo e a dependência de alimentos balanceados fornecidos, diariamente, aumentou o custo de produção da alimentação do peixe.

Conforme Hein, o produtor que comercializou os seus peixes até dezembro de 2020 teve um retorno financeiro significativo chegando em algumas situações a 80% de lucro.

“Já para este novo ciclo de produção com os preços dos insumos elevados, o retorno financeiro está atrativo, considerando que o preço pago pelos peixes se manteve mesmo considerando um período de safra daqui para frente”.

Ele lembra que havia uma expectativa de um bom ano para o setor em 2020. “Com o início da pandemia, alguns empresários suspenderam as atividades nos abatedouros. Os maiores deram continuidade aos serviços e, consequentemente, mantiveram o abastecimento”.

O município de Toledo assim como os da região possuem o período de inverno caracterizado. “O reflexo pode ser que não houve o aumento do consumo no pós-inverno. Pelo contrário, o consumo se manteve normal”.

MUDANÇA – Um ponto considerado falho por Hein na cadeia do peixe é a falta de variedade do produto no mercado para o consumidor. “Outras proteínas apresentam diversos tipos de cortes. Essa não é a realidade do peixe. Em muitos momentos, o consumidor está restrito a tilápia”.

Ele acredita que poderia ter a oferta de outros tipos de produtos e não somente o filé e também de outras espécies de peixes. “O Brasil possui muitos peixes nativos; esperamos ter uma maior disponibilidade no mercado”.

O profissional complementa que o cliente fica limitado ao filé de tilápia. “Essa espécie tem também a posta e quando aparece outro produto o seu custo é elevado ou não tem uma boa apresentação. É lamentável, porque o peixe é um produto importante para a nutrição humana. O consumidor precisa ser criativo para consumir peixe, mas também é preciso ter um preço acessível”.

Da Redação

TOLEDO