‘Cortina do abraço’: moradores do Lar dos Idosos acolhimento e afeto

Dizem que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço. Como descrever um abraço? Caloroso, afetuoso, acolhedor. Cada abraço é único. Somente quem sente pode relatar todos os sentimentos que essa ação de entrelaçar os braços, o corpo, o coração, podem representar.

Foram nove meses sem sentir o poder de um abraço. Uma dolorosa espera. Durante este período, as chamadas de vídeo ajudaram a diminuir a distância e amenizar a saudade, mas não supriram a falta do abraço. O último mês do ano trouxe uma surpresa boa para os moradores e familiares da Associação Promocional e Assistencial de Toledo Lar dos Idosos (APA): foram surpreendidos com a ‘cortina do abraço’.

“Recebemos a doação da ‘cortina’. É um material que permite que ocorra o abraço. Adotamos todos os protocolos de recomendação para a utilização e desinfeção do plástico após a utilização”, explica a coordenadora da APA Ester Rossol. “Desde o dia 16 de dezembro passamos a viver estes momentos de alegria, de acolhimento, de ‘matar a saudade’. É emocionante presenciar esses abraços após meses de distanciamento”.

ABRAÇO COM HORA MARCADA – Entre as mudanças que a pandemia trouxe para a vida de todos, uma delas, dentro da APA, é abraçar com horário marcado. Com a chegada da ‘cortina do abraço’ a equipe estabeleceu horários para que os familiares pudessem fazer aquela tão esperada visita presencial, mas tudo dentro dos protocolos de segurança para manter a saúde dos moradores.

Ester pontua que os abraços acontecem de manhã e tarde. Os familiares têm um período para abraçar e abraçar muito. “Nossa preocupação é promover saúde, ou seja, não faríamos nada para colocar os moradores em risco, por isso, a utilização da ‘cortina’ segue todos os protocolos recomendados. O Lar ainda não está liberado para receber visitas. Isso faz falta, pois todos os dias recebíamos visitas de grupos de voluntários para a prática de diversas atividades e dos familiares dos moradores, mas é preciso manter o isolamento, afinal, eles são do grupo de risco”.

“Esse ato de abraçar emocionou e comoveu todos os envolvidos. Ele trouxe carinho para os moradores, seus familiares – ao permitir momentos de perdão, de reconciliação – e também para a equipe de trabalho, que acompanha o cotidiano e sabe a falta que faz um abraço”, cita Ester ao acrescentar que os moradores que não têm família também sentem o aconchego de um abraço. Os colaboradores do Lar levaram carinho e acolhimento ao abraçarem esses idosos.

DENTRO DE UM ABRAÇO – A família da moradora do Lar, dona Hertha Irena Marcondes, aproveitou cada segundo do tão esperado abraço. Faz três anos que a APA passou a ser a casa dela. A filha de dona Hertha, Jussara Borsoi, conta que o momento foi esperado por ela, seus sobrinhos e seu irmão.

“Minha mãe tem alzheimer. Devido a doença, ela não tem a mesma noção de tempo e espaço. Contudo, para a família, este momento de distanciamento exigiu muitas mudanças”, relata ao citar que ela era frequentadora assídua do Lar e antes da pandemia, praticamente, todos os dias ia até o local para visitar a mãe e os demais moradores.

Jussara destaca que a iniciativa da ‘cortina do abraço’ permite que todos possam reduzir a distância física e venham a sentir o calor de um abraço. “Nosso emocional fica abalado ao estarmos limitados e não poder fazer tudo o que fazíamos antes. Por isso, esse abraço é muito importante”, reforça ao mencionar que a família ficou feliz em ter essa oportunidade e agradece todo o cuidado e carinho que a APA tem com os moradores.

Da Redação

TOLEDO