Covid-19: novos ‘recordes’ preocupam autoridades

Covid-19: novos ‘recordes’ preocupam autoridades

Toledo está em seu ‘pior momento’ na pandemia, conforme os dados apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde na manhã de segunda-feira (22). “É a primeira vez que o município tem 1.296 casos ativos. Nunca tivemos este número na pandemia”, destacou a secretária de Saúde, a médica Gabriela Kucharski.

Os dados da última semana epidemiológica, paralelo à análise mensal, apontam o aumento dos casos positivos. Os índices são preocupantes, visto que a 20ª Regional de Saúde de Toledo atingiu 100% a ocupação dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivas para pacientes com Covid-19.

A secretária alertou que com base nos últimos dias, a previsão é ultrapassar 2.429 de casos, sendo que o recorde nesse índice ocorreu em dezembro do ano passado. Outro ponto que chamou a atenção foi um novo recordo semanal que, nesta última semana epidemiológica, teve o registro de 732 casos – em dezembro foram 629 novos positivos.

“Sabemos que um percentual desses casos vai precisar de leito”, alertou Gabriela. A secretária também esclareceu que se neste momento já existe a lotação máxima dos leitos de UTI nos próximos sete dias mais pacientes irão precisar desse tipo de atendimento. “Com uma média de 15 a 16 dias de internamento na UTI é fácil entender que vai faltar leitor”.

Outro dado que também foi apontado como o mais expressivo desde o início da pandemia foi o número de atendimentos diários de pessoas com síndrome gripal – os mesmo sintomas da Covid-19. Neste mês, a média diária de pacientes com tais sintomas, ocorridos nas unidades-sentinela (Cosmo e Panorama) e no Pronto Atendimento Municipal (PAM) na Vila Panorama, foi de 157 atendimentos apenas com o CID J 11.

LETATILIDADE POR COVID-19 – Toledo está com 0,95% de letalidade. Isso representa que de cada 100 pacientes com diagnóstico positivo um vai evoluir para óbito. “Dentro desses 782 casos nossa letalidade é de 1%, matematicamente, infelizmente, só desta semana estamos falando de sete óbitos que possivelmente podem ocorrer mesmo se tiverem a assistência correta. Até agora não perdemos ninguém por falta de assistência, o risco é não ter assistência por falta de leitos”, apontou a secretária.

LEITOS DE UTI – Gabriela salientou o aumento, em três vezes da capacidade inicial, do número de leitos de UTI na área de abrangência da 20ª Regional de Saúde. Ela reforçou que não há mais espaço físico, nem equipe profissional para ampliar os números.

“Não temos mais intensivistas na região. Cessou a possibilidade mesmo que tivéssemos toda a vontade política e dinheiro não seria possível”, esclareceu ao explicar que existe carência de médicos (habilitados para prestar o atendimento na UTI), enfermeiros e técnicos de enfermagem. Ela também alertou que o tempo de espera para atendimento nas unidades pode aumentar, pois vários profissionais da área da saúde estão afastados por Covid-19.

Em relação à ocupação dos leitos de enfermaria, a secretária pontou que diante do quadro não existe projeção de ocupação total imediata, nem de acontecer à reabertura do hospital de campanha.

“A impressão que dá é que não existe conscientização de que é um problema de todos. É preciso olhar para o próprio quintal. É fácil ir para a rede social falar que a balada está aberta e não passar álcool em gel na mão. Liberdade com responsabilidade. Cadê a responsabilidade?”, indagou a secretária.

Da Redação

TOLEDO